Solução para a seca adiada

Projetos que previam construção de 9,5 mil cisternas não saíram do papel ou tiveram mudança de rumo

A construção de 9,5 mil cisternas para prevenir prejuízos com a seca entre agricultores gaúchos prevista há um ano ficou pelo caminho. No maior projeto, envolvendo um piloto do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) para 8,5 mil reservatórios de água captada pela chuva, seguem as negociações. Para que a construção saia, é preciso modificar o Programa Nacional de Habitação Rural (PNHR), para permitir a sinergia no uso de verbas do MDS e do Ministério das Cidades. Segundo o assessor de Política Agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do RS (Fetag/RS), Airton Hochscheid, a conta será paga na próxima seca. ‘Na prática, nada aconteceu. É lamentável, já que há cada dez anos temos pelo menos sete de seca.’

O presidente da Cooperativa Habitacional da Agricultura Familiar da Fetag (Coohaf), Juarez Candido, ainda espera que o piloto saia. Segundo ele, é preciso fazer a mesma adaptação que permitiu ao Estado assinar, neste mês, convênio com a Caixa Federal para repasse a projetos no PNHR, anunciado em dezembro passado. Só que o dinheiro não será mais para as cisternas. Pelo convênio, a Secretaria Estadual de Habitação repassará R$ 3 mil por moradia para o pagamento de despesas de mão de obra na construção, financiada pelo Ministério das Cidades. A mudança de finalidade foi uma opção da Coohaf que, ao longo do ano, detectou que os agricultores não conseguiram arcar com o custo, de responsabilidade deles no projeto original. Atualmente, 2,2 mil casas estão em construção ou em fase de contratação entre cooperados da Coohaf.

Apesar da dificuldades enfrentadas por agricultores familiares para construção das estruturas, na semana passada, famílias de baixa renda da zona rural e que participam de programas sociais como o Bolsa Família começaram a ser contempladas no RS. Ao todo, serão 3.241 cisternas, sendo que a primeira foi inaugurada na semana passada em Bagé. Até então, o projeto beneficiava apenas Norte e Nordeste do país. Os reservatórios serão construídos no Estado com verbas do governo federal em parceria com a Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social. Outros 11 municípios da Metade Sul do Estado deverão receber os equipamentos a partir do ano que vem.

Fonte: Correio do Povo

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