Sojitz negocia compra do controle da CGG Trading

A Sojitz do Brasil, subsidiária da japonesa Sojitz Corporation, negocia a compra de participação majoritária na CGG Trading, braço de comercialização agrícola da Cantagalo General Grains, comandada pela Coteminas, do empresário Josué Gomes da Silva.

Segundo o Valor apurou, os executivos japoneses iniciaram há cerca de dois meses conversas regulares para concluir o negócio. A expectativa é de que a subsidiária, atualmente com 43,13% de participação na trading, adquira a totalidade das ações restantes – de 56,87%, pertencente à Coteminas. Procuradas, Sojitz e Coteminas não responderam aos pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.

A incorporação da CGG Trading pelos acionistas japoneses já era esperada pelo mercado. Conforme fontes próximas à empresa, a Sojitz entrou na estrutura societária da Cantagalo em fevereiro de 2014 como sócio estratégico, já na condição de obter o controle após um período previsto de "adaptação". Além de deter quase a metade do controle do braço comercial, a Sojitz tem 5% da própria Cantagalo General Grains.

"É uma característica dos japoneses entrar primeiro, de forma estratégica, e depois assumir o controle. Só não aconteceu no prazo que se queria. Mas o controle da Sojitz era esperado, já que os outros [a Coteminas] não são do negócio de trading", afirmou uma fonte.

No mercado, as especulações apontam para a chegada de Brandon Scott Crozier, ex-executivo da Nidera – comprada pela chinesa Cofco Agri -, para o posto de CEO da CGG Trading. O cargo está sendo ocupado pelo ex-CFO Marcelo Pedro após a saída de Luiz Carlos Aguiar da presidência da CGG, em setembro.

Aguiar chegou à Cantagalo em setembro de 2014, momento em que a Sojitz já buscava transformar a operação brasileira em uma plataforma de exportação de grãos e fibras para a Ásia. Para muitos, ele ainda teria o papel crucial de "arrumar a casa" para a futura reorganização societária.

A Cantagalo General Grains foi constituída em 2010 através da junção da Coteminas (de Josué Gomes com 49,94% do negócio) e da Agrícola Estreito (de Paulo Garcez, com 16,99%), da GFN Agrícola (de Wilson Vian, com 17,53%) e a Valor Grains (fundo americano, com 10,54%). A Sojitz do Brasil foi o último, e mais estratégico, a entrar.

Nos últimos meses, a companhia sofreu com a quebra na safra de grãos brasileira, que reduziu ainda mais as margens do setor. Apesar do cenário desfavorável, conseguiu diminuir seu prejuízo líquido de R$ 190 milhões para R$ 172 milhões, entre 2014 e 2015. Mas elevou significativamente o endividamento bruto e líquido nesse período.

A companhia tem terras no país com soja, milho e algodão, voltados ao mercado internacional. No ano passado, movimentou 4,4 milhões de toneladas de grãos. Neste, os resultados operacionais deverão ser afetados pelos volumes minguados de grãos, principalmente milho.

Com investimentos vultosos em seu terminal de grãos em Itaqui (MA), consorciado com outras tradings, a empresa torce pela recuperação da safra no Matopiba, a principal área de influência do porto.

A Sojitz entrou no mercado brasileiro na década de 1950 e opera em nove divisões de negócios, de energia a grãos. A incorporação da trading brasileira daria fôlego à sua estratégia de expansão no país.

 

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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