SOJA – Volta das chuvas em dezembro e janeiro faz Brasil caminhar para nova safra recorde de soja

Pesquisa da Reuters mostra que, após início conturbado, maioria das lavouras tem recuperado potencial produtivo e país deve colher mais de 130 milhões de toneladas

Colheita de soja em Tangará da Serra (MT) 27/03/2012 (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Colheita de soja em Tangará da Serra (MT) (Foto: Paulo Whitaker/Reuters)

Após um início de safra 2020/21 conturbado e marcado pela seca, as lavouras de soja do Brasil, em sua maioria, têm apresentado recuperação do potencial produtivo com a ajuda de chuvas ocorridas entre dezembro e janeiro, abrindo espaço para que o país colha o recorde de 132,2 milhões de toneladas.

É o que aponta pesquisa realizada pela Reuters. De acordo com avaliações de 13 analistas, a projeção para a colheita avançou ante a média de 131,79 milhões de toneladas apurada no levantamento divulgado em dezembro.

A área plantada no Brasil, maior produtor e exportador da oleaginosa, ficou praticamente estável em 38,41 milhões de hectares. Na comparação com a última sondagem da Reuters, a estimativa baixou em 20 mil hectares.

Segundo os analistas, o ligeiro ajuste negativo na área foi causado pela desistência de alguns agricultores que passaram por frustrações depois de terem plantado durante a seca e, nos meses seguintes, substituíram parte da soja por algodão ou milho.

Na produção, houve reavaliações para cima e para baixo, com as condições climáticas beneficiando principalmente as lavouras semeadas mais tarde, à exceção do Rio Grande do Sul. "As precipitações de dezembro a janeiro conseguiram mitigar a escassez de chuva no início da safra", disse a analista de mercado da Céleres, Daniely Santos.

Estados como Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, Paraná e até São Paulo estão com lavouras cujo desenvolvimento tem apresentado resultados "surpreendentes", observou o analista de mercado da IHS Markit, Aedson Pereira.

"Fomos surpreendidos positivamente com a evolução das lavouras. Está havendo uma resposta devido à boa incidência de chuvas e luminosidade no final de dezembro e durante janeiro. Quem retardou (o plantio) acabou se beneficiando de um clima favorável", disse o especialista.

Desta forma, em Mato Grosso, onde produtores plantaram "no pó", ainda no fim de setembro, a colheita dos primeiros talhões neste mês mostra rendimentos abaixo do esperado.

"Mato Grosso sempre foi o Estado que puxava as médias de produtividade de soja para a cima. É o Estado que tem maior área e estabilidade de produtividade. Mas, neste ano, é o que exige mais atenção", alertou o presidente da consultoria Agroconsult, André Pessôa.

No maior Estado produtor da oleaginosa no Brasil, já se projetava redução na produtividade média após o excepcional resultado de 60 sacas por hectare da safra passada. Antes, a Agroconsult chegou a estimar 58,4 sacas por hectare.

Mas o impacto das condições climáticas sobre o desenvolvimento das lavouras acentuou essa queda. A estimativa da consultoria agora é de que os produtores de Mato Grosso colham 55,5 sacas por hectare.

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz, afirmou à Reuters que, além da colheita de Mato Grosso ter começado com atraso em relação a anos anteriores, em áreas de "sequeiro" (onde não há irrigação) o rendimento chegou a alcançar 40 sacas por hectare.

"Acho que isso não vai se refletir muito para frente, precisamos de chuva até o fim de janeiro e a expectativa ainda é de uma safra recorde, ao menos em torno de 130 milhões de toneladas", estimou Braz, mais cauteloso que a média de analistas ouvidos pela Reuters.

Já o analista da consultoria Safras & Mercado, Luis Fernando Roque, alertou sobre as lavouras gaúchas. "A região que merece mais atenção é o Sul e especificamente o Rio Grande do Sul, por causa do La Niña. Continuamos com o alerta ligado para o Rio Grande do Sul, assim como para a Argentina", disse.

A seca no Brasil chegou a impulsionar a soja na bolsa de Chicago – e agora, com retorno das chuvas, a tendência é que a safra do país diminua o peso sobre os futuros da commodity.

"Chicago ainda está firme e o dólar perto de R$ 5. Janeiro ainda tem espaço para os preços da soja crescerem. Mas o Brasil começa a ter menos efeito nas cotações em Chicago e, a partir de abril, a safra americana começa a influenciar fortemente a bolsa", explicou a analista da Céleres.

REUTERS

Fonte : Globo Rural

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