Soja: Mercado e produtores esperam definições do clima para nova safra do Brasil

Apesar do atual cenário climático desfavorável para o avanço do plantio da nova safra de soja do Brasil, a temporada 2015/16 deve registrar um avanço expressivo na área cultivada com a oleaginosa. O mais recente levantamento da França Junior Consultoria projeta a área brasileira em 32,76 milhões de hectares, ou seja, 3,3% a mais do que em 2014/15.

"Apesar de algumas restrições, os fatores de estímulo estão sendo dominantes e prevalecendo na decisão dos produtores", diz o analista de mercado Flávio França Junior.

O estudo mostrou ainda que, dessa área estimada, cerca de 12% já foi plantada até o último dia 16 de outubro, número que vem em linha com o registrado no mesmo período do ano passado, quando 11% do plantio estava concluído. Já a média dos últimos cinco anos é ligeiramente mais alta e tem 13%.

O estado mais adiantado é o Paraná, com 39% da semeadura já realizada, de acordo com os últimos números da consultoria, e seguido por Mato Grosso do Sul, com 18%. Em ambos, as chuvas foram mais favoráveis e os níveis de umidade no solo melhores e mais adequados para os trabalhos de campo. Em 2014, nestes estados, os números eram de 37% e 8%, respectivamente.

Já em outros locais os trabalhos seguem em um ritmo bem mais lento em função do tempo extremamente seco. No Centro-Oeste, em Mato Grosso, o plantio chega a apenas 13% da área, e em Goiás, 4% contra 7% do ano passado. No Sudeste, onde São Paulo plantou apenas 4%.

Em entrevista ao Correio Popular Online, o presidente da Aprosoja MT, Ricardo Tomczyk mostrou sua preocupação com o quadro atual. "O que plantou hoje já está comprometido. A janela ideal do plantio da soja está atrasada e trará consequências para o plantio do algodão e do milho", diz. “Estamos vivendo um cenário parecido com o da safra 2004/2005 quanto a clima, preço e custo de produção, porém com alguns diferenciais. Ao longo destes 10 anos o produtor mato-grossense se capitalizou e se organizou. Ele está planejando mais”, completa.

E este quadro, apesar de cedo para a nova temporada, já inspira mais atenção não só para os produtores, mas também para analistas – nacionais e internacionais – além dos traders e investidores. Segundo relataram, os preços da soja no mercado internacional já começa a ganhar parte de seu direcionamento das informações que chegam da nova safra da América do Sul na medida em que a colheita dos EUA avança e vai consolidando a produção por lá.

"Com a escassez predominante de precipitações sobre a região Central do país, o avanço dos trabalhos foi bastante lento no período. Embora em termos de safra de verão esse atraso ainda não se configure em perdas de produção, aumenta a preocupação dos produtores, pois a lentidão pode acabar atrapalhando o cultivo da safra inverno no início de 2016", diz França.

Em Santa Helena, Goiás, os produtores ainda esperam a chegada dessas boas chuvas para iniciarem o plantio da nova safra, segundo a produtora local, Elizângela Garcia Barbosa dos Santos. A sojicultora afirma ainda que, em função dos elevados custos de produção – fenômeno que chegou nos principais estados produtores do Brasil – os produtores buscam minimizar os riscos para garantir a produtividade. O ano é de El Niño e, consequentemente, de incerteza climática.

De acordo com as últimas previsões trazidas pela Somar Meteorologia, novas e boas chuvas para a região Central do Brasil somente na próxima semana. Até lá, apenas pancadas e a continuidade da irregularidade, o que exige que o produtor brasileiro do Sudeste e Centro-Oeste do país mantenha sua cautela.

"Há previsões para pancadas de chuvas durante toda a semana, mas como continuarão sendo irregulares, o plantio da soja ainda deverá ser com muita cautela, pois não há nenhuma garantia que essas pancadas venham a ocorrer sobre as áreas desejadas, mas é fato que pancadas de chuvas irão ocorrer nesses Estados", explica Marco Antônio dos Santos, agrometeorologista da Somar Meteorologia.

Santos, no entanto, complementa dizendo que "erá na semana que vem que as chuvas deverão ocorrer em todo o Brasil de forma mais generalizada e em volumes razoáveis para elevar os níveis de umidade do solo e dar garantia a realização do plantio da soja".

Ainda segundo França, a produtividade da oleaginosa estimada para essa temporada 2015/16 está na casa de 3.087 kg/ha, o que resultaria, se confirmando, em uma safra no Brasil de 101,13 milhões de toneladas, mesmo "considerando o perfil climático trazido pelo El Niño e a manutenção do nível tecnológico das lavouras".


Notícias Agricolas

Fonte: Famasul

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