Soja desce ao nível de 2007 em Chicago

Os contratos futuros das principais commodities agrícolas exportadas pelo país encerraram julho com preços médios inferiores aos de junho nas bolsas de Chicago (soja e milho) e Nova York (açúcar, algodão, café e suco de laranja). Essa onda baixista foi diretamente influenciada pela valorização da cotação média mensal do dólar em relação à de outras moedas, inclusive o real, mas também refletiu a confirmação de que os mercados em geral continuam bem abastecidos e, no caso da soja, os efeitos deletérios das desavenças entre EUA e China.

Segundo cálculos do Valor Data baseados nos papéis de segunda posição de entrega, em Chicago a maior queda, de 8,07% foi observada justamente no mercado de soja, o carro-chefe do agronegócio brasileiro. Com a retração – e apesar da forte alta de ontem, motivada por sinais de que poderá haver um armistício na guerra sino-americana -, o valor médio mensal dos contratos da oleaginosa ficou 13% abaixo do registrado em dezembro e 14,39% inferior ao de julho de 2017, no mais baixo patamar desde junho de 2007. Resta saber se as conversas entre EUA e China vão prosperar e animar os fundos que operam em Chicago a mudar suas apostas, que na semana encerrada no dia 24 ainda eram em novas quedas.

Embora a disputa comercial entre Washington e Pequim ainda prejudique as exportações de soja dos Estados Unidos ao país asiático, a ampliação da aposta dos fundos na queda dos preços decorreu do bom desenvolvimento das lavouras do Meio-Oeste americano nesta safra 2018/19.

O mesmo fator manteve vendido o saldo líquido de contratos de milho em Chicago, sinal de que também aqui o espaço para valorizações é exíguo. A cotação média dos contratos futuros de segunda posição de entrega do cereal encerrou julho com variações negativas de 3,51% em relação a junho, e de 7,43% na comparação com julho do ano passado, no mais baixo nível desde dezembro. O Brasil lidera os embarques globais de soja e é o segundo maior no caso do milho.

No mercado de soja, os prêmios registrados nos portos brasileiros, inflados pela forte demanda de uma China que taxou as cargas americanas, têm compensado pelo menos parte da queda das cotações em Chicago, que traduzem sobretudo os fundamentos dos EUA. Mas no milho isso não tem acontecido, restando apenas ao dólar valorizado o papel de minimizar perdas, num cenário parecido com o observado para as "soft commodities" negociadas em Nova York – o Brasil é o maior exportador de açúcar, café e suco de laranja do mundo e ocupa papel de destaque no comércio de algodão.

Dessas "softs", a que mais caiu na bolsa nova-iorquina em julho foi o café, ainda pressionado pela produção recorde no Brasil na safra 2018/19. De acordo com os cálculos do Valor Data, em relação à cotação média de junho a variação negativa foi de 10,37%, na comparação com dezembro a baixa chega a 14,46% e sobre julho do ano passado, a 20,74%. Não há perspectiva de mudança expressiva de comportamento nos próximos meses, tendo em vista a oferta confortável.

A boa oferta global de açúcar também mantém os preços da commodity longe dos picos. Mas nesse caso não por causa do Brasil, onde as usinas têm privilegiado a produção de etanol, que tem oferecido melhor remuneração. É na Índia e na Tailândia que está sobrando açúcar, o que até poderá fazer o Brasil perder sua tradicional liderança global nas exportações. Nos mercados de suco e algodão, a recuperação da oferta deu o tom da retração das cotações em julho.

Por Bettina Barros, Cleyton Vilarino, Kauanna Navarro e Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor

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