Soja acusa pressão do resultado das eleições

Os contratos futuros da soja negociados na bolsa de Chicago – e que servem de referência para os preços da oleaginosa ao redor do mundo – foram afetados ontem pelas expectativas de que a vitória de Mauricio Macri nas eleições presidenciais na Argentina leve o país a despejar um volume elevado da commodity no mercado internacional.

No início das negociações, os preços futuros recuaram e ficaram perto do menor valor em seis anos e meio, em torno de US$ 8,47 o bushel. A queda, porém, foi revertida ao longo do pregão, já que os valores baixos atraíram compradores na bolsa. Os contratos de segunda posição, para março, fecharam com valorização de 0,66% (5,75 centavos), a US$ 8,6625 o bushel.

Os investidores esperam que Macri reduza ou até acabe, ao menos temporariamente, com as taxas à exportação de soja, atualmente em 35%. O produtor deverá aproveitar logo a oportunidade, "até porque ele sabe que vai ter uma safra grande daqui alguns meses", afirma Steve Cachia, analista da consultoria Cerealpar. A Argentina é o terceiro maior produtor e exportador de soja em grão do mundo e estima-se que ainda existam estoques do produto no país equivalentes a algo entre US$ 8 bilhões e US$ 12 bilhões.

Porém, mesmo com o eventual aumento da oferta argentina, Cachia não aposta em preços muito menores que os atuais. Ele avalia que a demanda deve crescer com a entrada do inverno no Hemisfério Norte, quando o frio eleva a demanda por ração, e que as incertezas com a safra da América do Sul perdurarão até o início de 2016.

Por Camila Souza Ramos | De São Paulo
Fonte : Valor

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