Sobrevida à lavoura

Chuva que caiu sobre o território gaúcho nos últimos cinco dias alcançou 60% da área plantada de soja, amenizando os prejuízos com a seca

A frente fria que cruzou o Estado nos últimos dias trouxe alívio momentâneo para pelo menos parte das lavouras de soja, que, agora, entram em uma fase decisiva e têm maior necessidade de umidade. Até 60% da área plantada no Rio Grande do Sul recebeu alguma chuva, conclui a Somar Metereologia ao cruzar os mapas das precipitações e da distribuição da cultura.
Os benefícios, entretanto, não foram uniformes, diz o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, da Somar.
– No máximo 40% desta área teve chuva com importância agronômica, ou seja, acima de 30 milímetros – diz.
Na metade norte do Estado, onde se concentra a lavoura de soja, os volumes foram mais expressivos e melhor distribuídos em regiões como Planalto Médio e Campos de Cima da Serra. No Noroeste, no entanto, choveu menos e, em alguns municípios, não caiu um pingo sequer.
– Na nossa região, com 47 municípios, em cerca de 70% caiu pelo menos 20 milímetros – relata Antônio Altíssimo, gerente adjunto do escritório regional da Emater em Ijuí.
Técnicos alertam que, mesmo onde choveu, seria preciso uma nova ocorrência em uma semana para estancar as perdas de produtividade. A expectativa do meteorologista Flavio Varone, do Centro Estadual de Meteorologia (CemetRS), é de que uma nova chuva significativa ocorra somente por volta do dia 25.
– Deve atingir principalmente o Oeste e o Norte e chegar a áreas que continuam precisando muito de chuva – afirma.
Além das zonas com maior peso agrícola, Região Metropolitana, Serra e Litoral Norte tiveram precipitações com maior intensidade. Na Campanha, Fronteira Oeste e Zona Sul, porém, a chuva foi ínfima.
Nas áreas serrana e metropolitana, o principal benefício da volta da umidade recaiu sobre as condições de abastecimento – Novo Hamburgo e São Leopoldo suspenderam o racionamento. Em Novo Hamburgo, os cortes começaram em 28 de novembro. Na semana passada, a situação era grave: a régua da Companhia Municipal de Saneamento (Comusa) chegou a marcar 52cm – bem abaixo do limite de 70cm que determina a necessidade de implantação do racionamento.
Em São Leopoldo, o racionamento começou em dezembro, e na quarta-feira passada, o corte de água chegou a 10 horas diárias. Ontem, o abastecimento na cidade voltou ao normal.

Fonte: Zero Hora

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.