Sob nova direção, CGG quer atrair investidor

Leonardo Rodrigues/Valor

Scott: "Todas as companhias passam por um período delicado, mas temos acionistas e credores que acreditam no projeto

O americano Brandon Scott assumiu oficialmente o comando da Cantagalo General Grains (CGG), empresa controlada pela Coteminas que atua no mercado de terras, plantio e trading de grãos e fibras no país. O executivo foi aprovado na última terça-feira na reunião de conselho da companhia, que passa por uma reorganização societária.

Com experiência de quase 20 anos no mercado agrícola brasileiro, com passagens por ADM e Nidera, Scott terá pela frente o desafio de atrair novos investidores como forma de capitalizar a companhia. Em seu resultado financeiro de 2015, a CGG apontou receita líquida de R$ 4,5 bilhões e dívidas financeiras líquidas de quase R$ 1 bilhão e, segundo fontes do segmento, já tem problemas para captação de crédito de curto prazo.

Embora confirmado como CEO apenas esta semana, Scott passou a frequentar o escritório da CGG desde o início da semana passada. Em entrevista ao Valor, afirmou já ter visitado todos os bancos com os quais a empresa trabalha e que as conversas para a entrada de novos investidores está em andamento. "A empresa está aberta a sócios estratégicos que queiram criar uma companhia de agronegócios de respeito no Brasil", disse, sem querer estender o assunto. "Tenho falado com bancos, e nossos credores estão animados [em ajudar]".

De imediato, além da troca no alto escalão, a nova gestão pretende focar o negócio nas operações de soja e milho – commodities com maior base de clientes e liquidez – e dar ênfase menor ao algodão. "Algodão é um mercado de nicho para nós, não somos um ‘player’ global. E algodão exige capital intensivo. Podemos redistribuir [os recursos] ", disse. Questionado sobre o eventual encerramento das operações com a fibra, Scott afirmou que isso não deve ocorrer neste momento. A companhia ainda tem contratos para honrar até o início de 2017.

Novos investidores são considerados fundamentais para aumentar o fôlego financeiro de uma empresa que, como as gigantes do ramos, também sofre com o cenário de queda nos preços globais de algumas commodities agrícolas e menor poder de compra do produtor. Nos últimos dois anos, a Cantagalo nomeou o executivo Luiz Carlos Aguiar – com experiência financeira e na indústria – como CEO, na tentativa de reverter as contas vermelhas.

Entre 2014, quando Aguiar assumiu, e 2015 o prejuízo diminuiu de R$ 80,9 milhões para R$ 26,1 milhões, mas fontes do segmento disseram que o poder de reação foi limitado pelo fato de os sócios terem também deixado de injetar capital na companhia, apesar de sua clara dificuldade em fazer caixa. Scott, nesse contexto, é mais uma tentativa da CGG de aprumar a empresa. Representa a volta de um executivo do agronegócio ao comando – alguém mais familiarizado com as sutilezas da área.

Nascido no interior do Nebrasca, o executivo de 41 anos – quase 20 deles no Brasil – chega no momento em que a Cantagalo discute sua maior reestruturação desde a entrada da japonesa Sojitz no braço de trading do grupo, em 2014.

Criada em 2011, a Cantagalo General Grains é fruto da associação da Coteminas, de Josué Gomes da Silva, com empresas locais de plantio e comercialização de grãos. A holding ainda é controlada pela Coteminas, com 49,94% de participação. Os demais acionistas são a Agrícola Estreito (16,99%), a GFN Agrícola (17,53%), a Valor Grains (10, 54%) e a Sojitz (5%).

Na CGG Trading, divisão de comercialização da produção agrícola, a Coteminas detém 56,87% e a Sojitz os demais 43,13% do capital.

Além de novos investidores na holding, o mercado especula a intenção da Sojitz de controlar a trading, através da compra da participação da Coteminas no negócio.

"Todas as companhias passam por um período delicado, mas temos acionistas e credores que acreditam no projeto. Meu papel é criar valor para a companhia", disse Scott, que considerou prematuro falar de perspectivas para 2017.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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