Sistemas agroflorestais podem ser solução

Fonte: O GIRASSOL – TO 

Seminário revelou pesquisas de dez anos e discutiu a introdução de SAFs nas aldeias

Foi para mostrar o resultado de dez anos de pesquisa na comunidade indígena Krahô – após casos extrema desnutrição nas aldeias , que a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Empresa Brasileira de Pesquisas em Agropecuária (Embrapa), promoveram na segunda quinzena de maio (11 a 14), seminário que reuniu pesquisadores e índios para discutir os projetos realizados pelas duas instituições.

A parceria da Embrapa e Funai começou nos anos 90, com a finalidade de promover estudos sobre temas como a fauna, o solo, a diversidade ambiental, a organização social da população voltada para a produção, a circulação de materiais genéticos entre as aldeias, dentre outros, com vistas à promoção do desenvolvimento sustentável e garantia da segurança alimentar e geração de renda para a comunidade.

O passo inicial foi dado quando anciões das aldeias krahô iniciaram a busca pela espécie de milho que cultivavam antigamente , encontrando-o no banco de sementes da Embrapa em Brasília. A partir da multiplicação dos GRÃOS, surgiu a Feira de Semente Krahô, que acontece de quatro em quatro anos, na Terra Indígena (T.I).

Apesar de ser considerada um sítio Hot Post , por ser uma das áreas prioritárias para a conservação da biodiversidade mundial, a terra arenosa e a queda na população de animais silvestres faz da segurança alimentar um assunto preocupante nas aldeias.

Futuro

Além da divulgação dos resultados dos trabalhos desenvolvidos pelos pesquisadores, também foram discutidos os e rumos futuros das ações que promovam a segurança alimentar para os indígenas. Um dos pontos centrais das discussões foi a infertilidade das terras arenosas do reserva. "O solo é acido e tem baixa capacidade de armazenamento de água. Com isso, os índios estão sempre abrindo novas áreas de plantio e desmatando matas importantes", explica Terezinha Dias, da Embrapa – Recursos Genéticos, que completa: "Se o solo não ficar coberta, toda a T.I. vai virar deserto".

O pesquisador indígena, Feliciano Krahô, também está preocupado com a produção de alimentos na reserva. "No nosso entorno já foi tudo desmatado para plantar soja e milho. Aqui, aos poucos estamos acabando com a mata, pois temos que mudar as roças", conta.

A introdução de sistemas agroflorestais com acompanhamento técnico seria uma das soluções para o impasse. "Mas não basta apenas plantar as mudas, temos que ter um técnico para dar continuidade ao trabalho", argumentou Marcelo Krahô, da aldeia Serra Grande, se referindo as plantações anteriores da Embrapa que não sobreviveram.

Outra concordância entre índios e pesquisadores foi o fortalecimento da cultura tradicional indígena. "Precisamos unir o conhecimento dos jovens com os dos anciões. Nas escolas, os mais velhos podem ensinar as crianças a plantar conforme aprenderam com seus antepassados", disse Gilberto Krahô, da aldeia Barra. A iniciativa da Funai e Embrapa de respaldar cientificamente os conhecimentos tradicionais desenvolvidos pelas comunidades indígenas é inédita país.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *