Sistema financeiro precisa adotar a multicanalidade

Uso de diversas plataformas é caminho para ampliar a conexão entre instituições bancárias e clientes, defende executivo da SAP

Patrícia Comunello, de Orlando (EUA)

PATRÍCIA COMUNELLO/ESPECIAL/JC

Barradas diz que a nova classe média incentiva a adoção das operações

Barradas diz que a nova classe média incentiva a adoção das operações

Aprovar linha de crédito de baixo valor em minutos usando o celular ou outra interface móvel, sem ter de dar aquela passadinha na agência ou esperar horas pela liberação do gerente da sua conta; virar cliente de um banco com um simples envio de SMS; pagar uma conta por meio da tela do telefone, com a leitura da fatura no ponto de venda. Se a mobilidade virou imposição nas tarefas cotidianas, já está na hora do varejo bancário nacional incorporar esta facilidade. Para o vice-presidente da SAP para América Latina (AL) no segmento de bancos, Tonatiauh Barradas, a multicanalidade, que é o uso de diversas plataformas, terá de ser incorporada pela indústria financeira local.
A SAP desenvolveu solução para o mercado latino-americano e negocia com as maiores instituições locais. O arsenal inclui outra promessa do dinheiro eletrônico, no qual o celular vira meio de pagamento. A aplicação depende de regulamentação, que chegou a ser prometida pelo Ministério das Comunicações e Banco Central, no fim de 2012, em encontro na Capital Gaúcha. Credenciadoras de transações com cartão de crédito testam a alternativa. “A questão é de quem será o primeiro a usar”, provocou Barradas, que participou no Sapphire Now 2013, evento que reuniu quase 20 mil pessoas, entre profissionais, parceiros e clientes da SAP, até essa quinta-feira em Orlando, nos Estados Unidos.
O coCEO da companhia alemã, player global em plataformas e serviços de TI corporativa, Jim Snabe, reforçou que a América Latina, especialmente Brasil e México, despontam como mercados mais promissores para introdução de modalidade que combinem mobilidade e uso da tecnologia da Hana Enterprise Cloud, que deve concentrar todas as demais plataformas desenvolvidas pelos grupos e que oferece processamento de dados em tempo real usando a arquitetura in-memory. “Brasil e México são importantes com projetos interessantes no segmento bancário. São países que estão abertos à próxima geração de tecnologia”, justificou Snabe. Para o coCEO, o setor “vem explodindo em oportunidades”. “Tivemos um desempenho mediano no Brasil, mas agora voltou a um crescimento acelerado. Temos mais projetos bancários na AL que em qualquer outra região.”
Os números de aumento da receita com o setor no primeiro trimestre do ano confirmam o momento. O crescimento do faturamento bruto com os clientes da área bancária (sem seguros) foi de 53%. Seguros ficou em 21%. O segmento financeiro avançou 17%. O vice-presidente projetou que o desempenho este ano permanecerá em dois dígitos e acima de 50%. Barradas informou que o mercado mexicano vai rodar um piloto da solução da companhia.
Para o vice-presidente para o ramo financeiro, as instituições terão vantagens como reduzir custos de operações, um dos focos do setor devido à queda de juros nos últimos anos. Outra expectativa é que as soluções baseadas em mobilidade elevem a bancarização no País.
“A nova classe média é incentivo para terminar de posicionar este modelo como operação válida”, apontou o executivo. “O consumidor quer a conveniência de começar o processo onde estiver.” A multicanalidade é o conceito que supre estas demandas. Barradas adiantou que o sistema desenvolvido pela companhia integra os diversos canais, formando um repositório de dados. Com o recurso da análise preditiva (predictive analysis, em inglês), alimentada por operações com logaritmos e processadas em alta velocidade, é possível antecipar demandas para cada cliente. “O banco poderá reconhecer o perfil de transações e recomendar melhores taxas e tarifas”, exemplificou o vice-presidente.

Fonte: Jornal do Comércio

Compartilhe!