Sindicato de aviação agrícola afirma que RS tem aeronaves suficientes para ação contra nuvem de gafanhotos

Operação pode ser feita caso insetos entrem no território brasileiro, o que não ocorreu até o momento
27/06/2020 – 18h25min
BRUNA VIESSERI

O Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) afirmou que o RS tem um número suficiente de aeronaves “prontas para operação imediata”, caso a nuvem de gafanhotos que se concentra na Argentina se desloque para o território brasileiro.

Uma reunião virtual foi realizada neste sábado (27) entre a entidade e empresas aeroagrícolas da região de Uruguaiana, na fronteira oeste do Estado. O objetivo da encontro foi estimar a quantidade de aeronaves disponíveis imediatamente para uma ação contra os gafanhotos, caso seja necessário.

Conforme o Sindag, a frota aeroagrícola do RS compreende 462 aeronaves, espalhadas pelo Estado. Só em Uruguaiana, são 10 aviões prontos para a operação, o que é considerado “mais do que suficiente para a região”.

LEIA MAIS
Vorazes, diurnos e desacostumados ao frio e à umidade: como vivem os gafanhotos que formaram nuvemVorazes, diurnos e desacostumados ao frio e à umidade: como vivem os gafanhotos que formaram nuvem
Onde está a nuvem de gafanhotos que se desloca pela Argentina?Onde está a nuvem de gafanhotos que se desloca pela Argentina?
Ameaçado por nuvem de gafanhotos, RS já teve registro de invasão nas décadas de 1930 e 1940Ameaçado por nuvem de gafanhotos, RS já teve registro de invasão nas décadas de 1930 e 1940
A nuvem de insetos, que em voo abrange uma área de até 10 quilômetros de comprimento por três de largura (equivalente a 3 mil hectares), quando pousa, se amontoa e ocupa uma área menor, de até 10 hectares. Conforme a entidade, os insetos costumam pousar do final da tarde até o início da manhã seguinte para se alimentar e passar a noite.

— Nesse espaço (quando estão no solo) é possível fazer a operação com um ou dois aviões — projeta o presidente do Sindag, Thiago Magalhães.

A operação estudada pelo Sindag seria monitorar o momento em que os insetos estejam no solo, sobrevoar o local e pulverizar veneno sobre eles.

— A reunião com as empresas aeroagrícolas da Fronteira Oeste já estava prevista desde o início da tarde de ontem (sexta), para um briefing com a turma local sobre o andamento das conversas com especialistas e autoridades na preparação de um plano nacional permanente contra a praga — afirma Magalhães. Ao mesmo tempo, queríamos ter um inventário das aeronaves à disposição na área de fronteira, já que a região está no período de entressafra de parte das lavouras, embora esteja operando bastante em semeadura e adubação de pastagens. Período em que os empresários aproveitam para fazer a manutenção obrigatória anual dos aviões.

Argentinos teriam eliminado 15% dos insetos
O encontro online realizado pelo Sindag ocorreu horas depois de uma operação semelhante feita por integrantes da aviação agrícola argentina, na região de Curuzu Cuatia, na província de Corrientes.

Conforme a entidade, os insetos teriam sido localizados na sexta-feira (26), no final da tarde, pousados em uma área de campo no interior do município. A operação teria sido realizada antes da noite por um avião agrícola. Técnicos argentinos ainda avaliam o resultado da aplicação, mas as informações preliminares dão conta de que cerca de 15% da nuvem teriam sido eliminados, segundo o Sindag. Uma possível rota dos insetos é estimada em direção ao Uruguai.

A operação, segundo o Sindag, depende em grande parte do monitoramento eficiente dos gafanhotos. Ou seja, localizar o ponto de pouso dos insetos a tempo de preparar uma opção efetiva — com o avião chegando à tarde, a tempo de terminar a operação antes de escurecer, ou decolar logo na primeira luz do dia para estar sobre os insetos ainda no início da manhã, antes de levantarem voo.

Fonte: Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *