SinAgro expande rede de distribuição e prevê faturar R$ 2 bi

Maira Vieira/Valor

Guimarães: Expansão passa por Goiás, Minas, Tocantins, Mato Grosso do Sul e Bahia

A expansão do plantio e a boa rentabilidade dos produtores brasileiros de grãos nas últimas safras têm impulsionado a área de insumos agrícolas no país. De olho nessa expansão, a SinAgro, distribuidora com sede em Goiânia (GO), deverá abrir 11 novas lojas até o segundo semestre de 2020 para ampliar as vendas, que devem atingir R$ 1,1 bilhão nesta safra 2018/19, 22% mais que no ciclo anterior.

Fundada em 2011, essa "jovem" empresa espera alcançar um faturamento de R$ 2 bilhões com vendas de insumos como fertilizantes e defensivos e com originação de grãos na safra 2022/23. "Nossa expansão passa por Goiás, Minas Gerais, Tocantins e pelo aumento no número de lojas em Mato Grosso do Sul e no oeste baiano", afirmou Renato Guimarães, presidente da SinAgro, ao Valor.

Atualmente, a distribuidora tem 11 unidades em Mato Grosso e uma em Goiás. Mais cinco serão abertas até junho deste ano – três em Goiás, uma em Mato Grosso do Sul e uma em Minas Gerais -, e as outras seis novas revendas previstas deverão ser inauguradas até o ano que vem.

Esse movimento é turbinado por aportes recebidos nos últimos anos. Em 2015, a multinacional indiana de agroquímicos UPL comprou 45% da SinAgro e, em 2018, o fundo das Ilhas Maurício Global Capital Fund adquiriu 46%. Os valores das negociações não foram divulgados. Os restantes 9% permanecem nas mãos do sócio-fundador Marcos Vimercati, que passou a presidir o conselho de administração da empresa.

"Nosso grande objetivo é crescer na área de insumos", disse Guimarães. Na safra 2017/18, os insumos representaram cerca de 60% do faturamento e a originação respondeu pelos demais 40%. Para armazenar os grãos recebidos com as vendas antes de negociá-los com as tradings, a SinAgro mantém quatro armazéns situados em Mato Grosso.

Segundo o executivo, a originação de grãos dá suporte às operações de barter (troca de grãos por insumos) e a necessidade em armazenagem de clientes. "Hoje, 60% das vendas derivam de barter", afirmou. "Queremos fortalecer ainda mais essas operações", acrescentou.

Afora a expansão da rede de lojas, Guimarães acredita que o previsto salto da receita também virá de uma maior participação de produtos biológicos nas vendas de insumos. A fatia deverá saltar de 3% para 10% até 2022/23. A tendência é favorecida pela compra da Arysta pela UPL, concluída em janeiro. A Arysta tem forte presença na área de biológicos.

Segundo a Associação Brasileira das Empresas de Controle Biológico (ABC Bio), o mercado global de biodefensivos agrícolas tem crescido cerca de 20% ao ano. Mas no Brasil o incremento conjunto das associadas da entidade (que representam 70% do mercado) foi de quase 80% no ano passado, para R$ 464 milhões.

A SinAgro fatura, ainda, cerca de R$ 150 milhões com produção de soja (10 mil hectares), milho (6 mil) e algodão (6 mil), mas essas atividades não deverão ser ampliadas.

Por Kauanna Navarro | De São Paulo

Fonte : Valor

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