Sicredi terá R$ 5,6 bilhões para safra de verão gaúcha

Aporte é 21,51% maior do que o emprestado no último ciclo no Estado

Patrícia Comunello

MARCELO G. RIBEIRO/JC

Seefeld destacou que gestão e tecnologia no campo farão diferença

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O Sicredi vai ofertar R$ 5,65 bilhões para o custeio e investimento para as lavouras de verão no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Serão R$ 4,45 bilhões para plantio e R$ 1,2 bilhão para aquisição de máquinas. A cifra total, 21,51% maior que o volume emprestado na safra 2014/2015, também vem com taxas de juros mais salgadas.

No País, o sistema alcançará R$ 9 bilhões, 10% superior ao ciclo anterior. O aumento dos juros vai de 34,6%, em linhas para pequenos e médios produtores, e 67%, para a menor faixa do programa para agricultura familiar (Pronaf). As taxas seguem a política nacional definida pelos ministérios da Fazenda e Agricultura para o Plano Safra.

Os percentuais de custeio variam de 2,5% a 5,5% ao ano nas três faixas do Pronaf (em 2014/2015, as taxas eram de 1,5% a 3,5% ao ano), e de 7,75% a 8,75% ao ano nas linhas para produtores de médio porte (Pronamp) e empresarial, que acessavam patamares entre 5,5% e 6,5% ao ano. O percentual de ampliação dos recursos pelo Sicredi segue a atualização dos próprios custos estimados para o plantio, sendo que 10% do aporte deve ser repassado a agricultores catarinenses.

Os contratos poderão ser feitos a partir do dia 13 nas unidades gaúchas e catarinenses. A aposta é assinar 140 mil operações, acima das 132 mil da safra 2014/2015. A expectativa é que mais de 70% dos contratos sejam puxados por agricultores familiares, que devem concentrar cerca de 40% do volume financeiro, cenário da movimentação da última safra. O diretor-executivo do sistema nos dois estados, Gerson Seefeld, explicou que a expansão do crédito é baseada, principalmente, no aumento dos preços de insumos, como fertilizantes e defensivos.

Seefeld admitiu que a alta dos custos para implantar as culturas preocupa e reforçou que gestão e uso mais intensivo de tecnologias serão decisivas para tentar amenizar o impacto dos juros. O dirigente não descarta que a demanda possa ser menor que o volume ofertado. "Os produtores têm tido safras completas (sem quebras) seguidas e bons preços, portanto estão mais capitalizados", examina o diretor-executivo. Para evitar que muitos prefiram bancar sozinhos o plantio, o Sicredi pretende reforçar as consultorias e análises com os associados para indicar a melhor condição e mesmo a equação entre os recursos de terceiros (financiamentos) e o caixa próprio.

O diretor-executivo acalentou ainda a expectativa de que o governo estadual, que ainda não divulgou seu plano safra (Banrisul e Badesul), possa unificar os aportes. Seefeld cita que devem ser R$ 2 bilhões, mas que, se juntasse todas as operações (Banco do Brasil, Sicredi), poderia chegar a R$ 20 bilhões. "Podem fazer um lançamento coletivo, é o momento de fazer a diferença", provoca o porta-voz do Sicredi. Os dirigentes do sistema nos dois estados informaram, ao divulgar a política para a nova safra na sexta-feira passada em Porto Alegre, que pretendem reforçar a presença no estado vizinho já em 2015, ampliando em 10% a cobertura em até 10 anos.

Este ano, serão 28 unidades novas nos dois mercados. A expansão dos ativos este ano deve ficar em 20%. São atualmente 636 pontos de atendimento, 568 no Estado e 65 em Santa Catarina, além de 42 cooperativas associadas. Hoje, a operação do setor primário representa menos de 50% dos aportes, e, no setor de comércio e serviços, há registro de desaceleração em operações de associados. Também a inadimplência geral, que chegou a 1,7% em maio (metade da média dos bancos comerciais), eleva a cautela entre os dirigentes da instituição cooperativa, ante a média de 1,4% em 2014.

Fonte: Jornal do Comércio

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