Sicredi avalia com cautela o horizonte do agronegócio

Com grande capilaridade no interior do Estado e um dos principais financiadores do agronegócio gaúcho, o Sicredi vê com receio a previsão de que uma nova estiagem deve assolar o Rio Grande do Sul em 2021. Se isso normalmente já seria uma má notícia, a preocupação aumenta depois de um ano com forte seca e uma pandemia ainda ativa.

De acordo com o vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste, Márcio Port, se não fossem os programas de prorrogação dos débitos dos financiamentos em 2020, o impacto sobre a instituição financeira e sobre os cooperados já teria sido muito grande.

Mas ele salienta que não é o momento de simplesmente olhar para frente e esquecer as dificuldades enfrentadas. "É importante lembrar que não se tratou de um perdão da dívida, mas da prorrogação dos prazos para pagá-la".

E o maior temor de Port nem é que os cooperados não honrem os contratos, mas que os vencimentos atuais se acumulem com os futuros. Junto com isso vem a previsão de mais um verão com pouca chuva no ano que vem. As contas dos produtores podem não fechar e a dívida se tornar ainda mais difícil de quitar.

Com o Plano Safra 2020/2021 já lançado, a recomendação é que o agronegócio gaúcho esteja atento. "No momento em que todas essas operações que foram prorrogadas estiverem prestes a vencer, é preciso que a economia brasileira esteja bem", analisa Port. Caso contrário, a conjuntura em 2021 pode ser ainda pior.

No primeiro semestre do Plano Safra 2019/2020, o Sicredi liberou o maior volume de crédito rural entre instituições privadas.

Ao todo, foram disponibilizados R$ 12 bilhões em mais de 131 mil operações de crédito rural para os associados. Os dados constam de levantamento do Banco Central do Brasil (BCB).

Para esta safra, a instituição financeira cooperativa estima viabilizar R$ 20,1 bilhões em crédito rural, projetando atingir mais de 220 mil operações. O valor representa um crescimento de 12,3% nos recursos concedidos em relação ao ano-safra anterior, quando foram disponibilizados R$ 17,9 bilhões em 190 mil operações.

Do montante para o ciclo atual, a expectativa é disponibilizar R$ 17,5 bilhões em operações de custeio, comercialização e investimento, além de R$ 2,6 bilhões com recursos direcionados, oriundos do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social).

O vice-presidente da Central Sicredi Sul/Sudeste reconhece que, até aqui, 2020 foi marcado por uma revisão das prioridades e que o período exigiu que as pessoas se voltassem às necessidades básicas.

Pensando no encolhimento do consumo das famílias brasileiras e tentando agir proativamente para estimular a retomada econômica a partir dos pequenos, o Sicredi lançou a campanha Eu Coopero com a Economia Local.

"Estamos trabalhando para que as pessoas se deem conta da importância de comprar do vizinho, do estabelecimento do bairro, de prestigiar a indústria e os produtores locais para manter os empregos dos seus amigos e familiares, a força da economia da sua cidade e região", salienta Port.

Um hotsite será criado para servir de fonte de informações sobre a iniciativa e ferramenta de apoio aos empreendedores locais.

O espaço disponibilizará conteúdos em vídeo e e-books com dicas de como trabalhar os negócios nos meios digitais e uma plataforma de personificação de peças digitais de divulgação, além de acesso a outras ferramentas que podem auxiliar na gestão do empreendimento.

A instituição tem também um aplicativo que fomenta as interações comerciais entre seus associados.

O Sicredi Conecta é um marketplace que permite a publicação de anúncios e realiza vendas de produtos e serviços sem a cobrança de taxas ou qualquer custo aos usuários.

Fonte: Jornal do Comércio