Setor produtivo de soja teme falta do grão no segundo semestre deste ano

Segundo Anec, quebra na safra da oleaginosa deve ser sentida após provável recorde nas exportações

Raphael Salomão

Adriana Franciosi

Foto: Adriana Franciosi

Quebra na safra de soja preocupa representantes do setor

Os embarques de soja pelo Porto de Santos (SP) registraram aumento de mais de 74% no primeiro trimestre deste ano, conforme a Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp). Segundo representantes do setor, a demanda estaria mais concentrada agora, em função do temor de que, por causa da quebra de safra neste ano, falte produto nos próximos meses. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove), mesmo com a quebra, as exportações da oleaginosa em grão ficaram em 6,8 milhões de toneladas nos primeiros três meses do ano. O número representa mais do que o dobro do mesmo período no ano passado. 
– A combinação câmbio e preço é excepcional. Houve uma combinação como essa só em alguns momentos de 2004. Atualmente, não chega aos patamares de 2004, mas, como o preço está alto, essa combinação câmbio mais preço está ainda muito excepcional para o produtor – afirma o diretor geral daAssociação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

O cenário refletiu na movimentação portuária nos primeiros meses do ano. Somente no Porto de Santos, quase 4,5 milhões de toneladas de soja em grão foram embarcadas, conforme a Codesp. Para o diretor de Planejamento Estratégico do Porto de Santos, Renato Ferreira Barco, a ampliação pode oferecer equilíbrio ao mercado.
– E esse pico da soja nos trouxe uma compensação pelo baixo movimento em outros mercados. Por exemplo, houve uma redução sensível na movimentação de granéis líquidos e uma movimentação de contêineres já detectada – diz.
Até o final do primeiro semestre, mais de dois terços do previsto para 2012 devem ser colocados nos navios. A expectativa é de que, neste ano, passem pelo Porto de Santos mais de 11,1 milhões de toneladas de soja em grão. O crescimento seria de mais de 13% em relação ao ano passado.
– Eu acho que está tudo dentro de uma normalidade, mesmo com essa situação atípica. Porque nós sabemos de antemão que deve existir uma queda – aponta Barco.
Apesar do otimismo da administração do Porto, o diretor geral da Anec alerta que os efeitos da quebra de safra sobre as exportações de soja deverão ser percebidos de forma mais acentuada no segundo semestre deste ano.
– Vai ter aqui o que comentávamos no ano passado, que íamos ter recorde de embarques. Só que isso concentrado mais ou menos no primeiro semestre, porque no segundo você já vai sentir o efeito da quebra de safra. Então não vamos bater recorde no total das exportações, porque vai faltar produto – opina.

Fonte: Ruralbr | CANAL RURAL

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