Setor desconhece condição de nova linha

Representantes da indústria ainda não conseguiram detalhes sobre a linha de crédito anunciada pelo Banco do Brasil para aquisição de café verde.

No início do mês, a instituição anunciou um valor adicional de R$ 1 bilhão para financiar operações de custeio, estocagem e comercialização de café, a juros controlados (de 5,5% ao ano).

Também foi anunciada a criação de uma linha com juros de mercado para financiar a aquisição de matéria-prima pelas torrefações, cuja demanda é estimada em torno de R$ 600 milhões.

Segundo o banco, esse é o montante estimado pelo Ministério da Agricultura, levando em consideração a aquisição de 2 milhões de sacas de café arábica ao preço mínimo de R$ 307 por saca do grão arábica.

A linha do Banco do Brasil é uma novidade para a indústria, que também terá acesso a parte dos R$ 500 milhões do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para aquisição de café – além de R$ 200 milhões para torrefação e moagem e R$ 150 milhões para a produção de café solúvel.

Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), afirma que o setor ainda não sabe se os recursos para aquisição de café serão exclusivos para a indústria ou se também poderão ser acessados por cooperativas e comerciantes.

Segundo ele, em reunião na semana passada, o banco garantiu ao setor que existem recursos para a operacionalização da linha de crédito, e que em breve começaria a "ofertar" o produto. Procurado, o Banco do Brasil informou que não comenta o assunto.

O pedido de uma linha de crédito para aquisição de café pela indústria partiu da própria Abic, que representa 450 torrefadoras. Herszkowicz diz que o pedido foi apresentado há mais de 60 dias ao Departamento de Café do Ministério da Agricultura.

Segundo o representante, a demanda reflete o atual momento econômico da indústria, que opera com estoques baixos e ainda se encontra descapitalizada após cinco anos de preços praticamente estáveis no varejo e custos crescentes.

A ideia inicial era de que o recurso fosse usado exclusivamente para a aquisição de café arábica, cujo preço recentemente caiu para o menor patamar desde 2009, mas segundo Herszkowicz não haverá essa restrição.

A medida estimularia o consumo da espécie, que perdeu participação para o robusta nos "blends" de café torrado e moído nos últimos anos. As 2 milhões de sacas potencialmente atendidas pela linha do Banco do Brasil correspondem a cerca de 20% do consumo brasileiro anual de arábica, diz Herszkowicz.

Guilherme Braga, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CeCafé) afirma que, se mantida a restrição, a linha de crédito poderá aumentar em pelo menos 10% o consumo de arábica.

Além de fortalecer o mercado de arábica, diz, a medida poderia "liberar" mais robusta para a indústria de solúvel e para a exportação. (CF)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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