Sempre na moda

O couro bovino é uma matéria-prima nobre na indústria de móveis, automóveis, vestuário ou de calçados em qualquer lugar do mundo. Nunca sai de moda. No passado, chegou a valer mais do que a carne aqui no Estado. Na moderna pecuária gaúcha, no entanto, é um subproduto menos valorizado do que merecia. O couro poderia elevar substancialmente a renda dos criadores, se voltasse a ocupar papel de destaque na atividade.
Mas o produto ainda é refém de um circulo vicioso. Os curtumes alegam que pagam pouco pelo couro porque o produto nem sempre apresenta a qualidade desejada pela indústria (traz marcas feitas a fogo, cicatrizes e danos causados por carrapato).
Os produtores rebatem que não investem em cuidados adicionais (eliminação de cercas de arame farpado, de pregos expostos nas carrocerias dos caminhões e do carrapato) porque não são bem remunerados pelo couro.
Assim como acontece em outros setores do agronegócio, falta, às vezes, diálogo entre os diversos elos da cadeia produtiva. Um entendimento entre pecuaristas, frigoríficos e curtumes poderia ser proveitoso para todos.

Fonte: Zero Hora | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho