Seminário debate ações para a autonomia da juventude rural

Cerca de 100 jovens rurais de escolas agrícolas da região do Alto Uruguai (RS), estiveram reunidos na Câmara de Vereadores de Caiçara, nesta quarta-feira (7), no Seminário de Avaliação e Divulgação de Prática de Projeto Profissional e de Vida, para conhecer projetos empreendedores e discutir propostas e ações voltadas para o desenvolvimento e o protagonismo da juventude rural da região.

O evento foi promovido pela coordenação do curso superior de Tecnologia em Agropecuária para Beneficiários do Programa Nacional de Crédito Fundiário (PNCF), ministrado pela Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai (URI), por meio do Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera). O curso, que teve início em 2014, é resultado da parceria da URI com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) e a Subsecretaria de Reordenamento Agrário da Secretaria Especial da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário (SRA/Sead) e já formou 80 jovens rurais de diversos municípios do norte gaúcho.

Além da apresentação de projetos de sucesso, desenvolvidos por alunos concluintes do curso, os participantes tiveram a oportunidade de conhecer o PNCF, uma política pública que permite a jovens rurais, com idade entre 18 e 29 anos, adquirir uma propriedade. O programa foi apresentado pela subsecretária de Reordenamento Agrário, Raquel Santori, que afirmou a importância da juventude no processo de desenvolvimento do rural brasileiro.

Para a gestora nacional do PNCF, o processo de sucessão no rural, a permanência dos jovens no campo e a consolidação do modo de produção familiar se dará de forma mais eficaz quando os nossos jovens tiverem terra, conhecimento e acesso a novas tecnologias.

“Pesquisas mostram que o campo está envelhecendo e o êxodo de jovens rurais aumentando. Situação que a longo prazo pode comprometer a segurança alimentar do nosso país. Por isso, vivenciar experiências exitosas como as que conhecemos ao longo destes dois dias, é muito gratificante. Vimos jovens empoderados, que a partir do conhecimento obtido no curso e a possibilidade de ampliar a área produtiva (por meio do PNCF), mudaram não só as formas de atuação na propriedade, mas a realidade de suas famílias”, ressalta Raquel.

Disseminando as boas práticas

O seminário foi parte de uma programação de dois dias, da qual participaram entidades parceiras do PNCF que possuem atuação expressiva com jovens rurais nordestinos, em especial os beneficiários do programa nos estados de Alagoas (Carpil), Ceará (Flor do Piqui) e Pernambuco (Serta).

A expectativa é de que ao conhecer o projeto que é desenvolvido por meio da metodologia da pedagogia da   alternância – 40h no campus e 60h na propriedade -, bem como os resultados obtidos a partir dele, as entidades convidadas venham a disseminar a experiência, propondo a criação de cursos superiores de tecnologia em agropecuária para beneficiários do PNCF nos respectivos estados onde existe uma grande demanda de jovens rurais por acesso à terra.

Em visita ao campus, a comitiva reuniu-se com a diretoria e a equipe da coordenação para conhecer a estrutura  física e pedagógica do campus. Para Luciano Monteiro, da Carpil, que há 21 anos promove intercâmbios entre jovens agricultores alagoanos e paranaenses, essa integração de saberes é fundamental para ampliar o conhecimento sobre as diferentes formas de produção, e consequentemente, o sucesso dos jovens que decidem viver no campo.

“O curso tem promovido mudanças positivas na perspectiva de vida desses alunos. E isso é muito gratificante para toda a equipe envolvida nesse processo”, comenta a diretora do campus Silvia Regina Canan.

Como parte da programação, foram feitas visitas de campo nas propriedades de alunos que participaram da primeira turma, iniciada em 2014. A primeira delas, foi na propriedade de Eduardo Felipe de Quadros, em Rodeio Bonito (RS). Ele conta que aprendeu no curso a ter uma visão mais empreendedora da propriedade. “A proposta pedagógica do curso nos possibilita conhecer a dinâmica da agricultura familiar e organizar a propriedade de maneira que ela se torne mais produtiva e rentável”, completa o jovem que fidelizou uma rede de consumidores dos hortigranjeiros que produz.

Na sequência, a comitiva seguiu para o município de Pinhal (RS) onde conheceu a propriedade do ex-aluno Maurício Zambiazi, cujo pai adquiriu em 2008, 12,5 hectares pelo PNCF. Bem estruturada, a propriedade é “tocada” hoje pelo jovem, cujo projeto de vida é ficar no campo e melhorar cada vez mais a produção de gado leiteiro e de suínos. “O curso agregou muito conhecimento nas diversas cadeias produtivas que desenvolvemos aqui.  Melhoramos o solo, a ração do gado e dos porcos e o resultado foi um aumento significativo da renda, que nos permitiu adquirir mais 3 hectares vizinhos.”

Mauricio conta que depois que se formou muitas portas se abriram, mas que ele não sai do campo por nada. “Não estou aqui obrigado, estou por opção. É aqui que quero viver e construir meu futuro”, completa.

O roteiro de visitas terminou na manhã da quarta-feira, na propriedade de Marcos e Cátia Cassol. Marcos adquiriu, em 2009, uma área de 14,15 hectares pelo PNCF, ampliando a propriedade e a produção de leite da família. Em 2014 casou-se com Cátia, jovem agricultora, apaixonada pela vida no campo, e logo ingressou no curso. Ele conta que foi nesse momento que as coisas começaram a mudar.

“O curso me fez enxergar uma perspectiva nova para a atividade que desenvolvíamos. Quando saiu a segunda turma a Cátia, que é filha de beneficiário do Crédito Fundiário, foi fazer também. Com o conhecimento investimos na qualificação do rebanho, a produção de leite aumentou, e foi nesse momento que vimos a possibilidade de agregar valor ao leite. Ano passado, junto com meu cunhado Alex, que também é beneficiário do PNCF, montamos a nossa agroindústria familiar, a Marlac. Nela produzidos queijos saborizados, manteiga e iogurte, que comercializamos nas grandes feiras que acontecem no Rio Grande do Sul e no mercado local. Estamos aguardando a certificação estadual para comercializar nossos produtos em todo o RS”, diz orgulhoso.

O coordenador do curso, o professor doutor Gelson Pelegrini, destaca o empenho da equipe como diferencial. “Desde a primeira turma, coordenada pelo professor Luis Pedro Hilleshein, nossa equipe vem fazendo um trabalho muito bom, não só com os alunos, mas com as famílias, pois entendemos que as mudanças propostas pelos jovens afetam a todos. Temos uma equipe comprometida com a execução da proposta pedagógica e com o sucesso dos nossos alunos, e isso tem feito a diferença na vida desses jovens. Entendemos que mais que forçar o jovem a ficar no campo, damos o conhecimento para que ele possa fazer escolhas, e escolhas embasadas”, completou.

Assessoria de Comunicação
Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário
Contatos: (61) 2020-0120 / 0122 e imprensa@mda.gov.br

Soraya Brandão

Fonte : MDA

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