Semana decisiva para apoio contra a estiagem

Decisão precisa passar pelo CMN, que se reúne nesta segunda-feira

As demandas dos produtores rurais gaúchos por apoio da União para minimizar os dados da estiagem podem ter um desfecho, enfim, nesta semana. Com a situação agravada nacionalmente pelo avanço do coronavírus, os pedidos do Rio Grande do Sul entraram em certa "quarentena" nos últimos dias, mas, agora, podem ter uma resposta. O agronegócio gaúcho espera por novidades durante a reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN), prevista para esta segunda-feira.

"As reuniões do grupo de trabalho gaúcho foram prejudicadas pelo avanço da pandemia, mas serão feitas on-line com o Ministério da Economia, por exemplo.

Hoje, teremos uma reunião importantíssima sobre o assunto", antecipa Covatti Filho, secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul.

O tema, porém, está pendente há meses e já foi alvo de fortes críticas do setor. As solicitações, vale lembrar, começaram ainda em fevereiro, foram intensificadas e feitas de forma incisiva em março, e entregues diretamente à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, durante a Expodireto Cotrijal, no início do mês, em Não-Me-Toque.

Uma das únicas ações concretas até o momento, destaca Covatti Filho, é a oferta de milho para venda a balcão no Rio Grande do Sul, a fim de atender à demanda interna com preços melhores. Devem chegar, na próxima semana, ao Estado, 2,5 mil toneladas de um total de 8,5 mil toneladas já confirmadas.

No total, o Estado solicitou 30 mil toneladas para abastecer especialmente produtores de pequeno porte e voltados, por exemplo, à avicultura, ao leite e à suinocultura.

O milho, que deverá ser comercializado pela Conab, em edital ainda a ser lançado, tem a vantagem de eliminar ao produtor o custo do frete que seria pago para trazer o grão do Centro-Oeste do Brasil, por exemplo.

"Mas a nossa prioridade é a prorrogação dos prazos de pagamento de financiamentos feitos pelo produtor para custeio e investimentos na última safra, assim como uma linha de crédito para cooperativas que financiaram diretamente boa parte dos agricultores", defende o secretário da Agricultura.

Ivan Bonetti, diretor de Políticas Agrícolas do governo do Estado, antecipa que uma nova reunião entre o grupo de trabalho definido para tratar do assunto está prevista para até quarta-feira e deverá trazer novidades ao menos sobre a prorrogação de parcelas de custeio e investimento.

Bonetti assegura que o tema não está parado e que o encontro programado para os próximos dias inclui Ministério da Economia, BNDES e Banco do Brasil, e deve dar prosseguimento às antigas demandas.

"Deixamos claro, em Brasília, que o produtor gaúcho tem uma demanda muito grande e específica que precisa ser atendida.

Algumas coisas são mais fáceis, como a prorrogação das parcelas, outras mais difíceis, como uma bolsa estiagem de um salário- -mínimo aos produtores familiares, como feito em 2012, mas que também está na pauta", alerta Bonetti.

Como o governo federal já postergou, devido à pandemia, o pagamento de parcelas de custeio e investimento em todo o Brasil, os agropecuaristas gaúchos já ganham automaticamente o benefício por seis meses. "Nos dá um certo respiro para prosseguir com as negociações", sintetiza Bonetti.

Fonte: Jornal do Comércio