Sem transgênico, Roraima deve dobrar área com soja

Com pouca tradição no cultivo de Soja, o estado de Roraima pretende dobrar a área do cultivo da oleaginosa utilizando apenas variedades não transgênicas do grão desenvolvidas pela Embrapa. Segundo o pesquisador para Soja da Embrapa Roraima, Vicente Gianluppi, a perspectiva é que a área passe de 12 mil hectares na safra de 2012/2013, que acabou de ser colhida em outubro, para ao menos 24 mil hectares em 2013/2014, que será plantada em dezembro no estado.
A expansão do cultivo do grão em um estado tão distante dos grandes centros de Produção intensiva do Agronegócio é estimulada por dois fatores: os altos preços da Soja no mercado internacional e a demanda, principalmente de países europeus, por grãos produzidos sem modificação genética.
"São poucos países que produzem Soja não transgênica. Onde tem, [os interessados] dão um prêmio que estimula o produtor a plantar essa Soja", afirma Eledon Oliveira, gerente de levantamento de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A demanda externa por grãos "naturais" já foi sentida na última safra. Das cerca de 36 mil toneladas que se estima tenham sido produzidas no estado do Norte brasileiro na última safra, 90%, ou 32,4 mil toneladas, já foram compradas pela Rússia, onde os importadores são conhecidos por rejeitarem a transgenia nos grãos de Soja. Para evitar a compra de grãos transgênicos, os importadores russos recorreram na última safra à Produção de Roraima. Cada saca de 60 quilogramas de Soja foi negociada por R$ 70.
O valor ficou bem acima do negociado aos produtores do Centro-Oeste na época de colheita da região neste ano. Entre março e abril, a cotação mais alta negociada no período alcançou R$ 62,50 a saca, ou 12% a menos.
Os compradores da Soja do estado ainda têm outra vantagem, já que a variedade mais cultivada na região é a tracajá, que possui cerca de 5% a mais de óleo e proteína do que outras variedades cultivadas no Centro-Oeste. A Embrapa possui outras dez variedades desenvolvidas para as terras de Roraima.
Vicente Gianluppi acredita, porém, que o uso do tracajá tem prazo para acabar. "Fizemos um levantamento e vimos que já tem nematoides no solo e tracajá não tem resistência a eles. Vai ter que ter logo que trocar a tracajá, principalmente em áreas que estão se multiplicando os nematoides no solo", explica.
Segundo o pesquisador, a Embrapa "tem materiais engatilhados para liberar para a próxima safra". Ele acredita, no entanto, que a adoção de variedades de sementes transgênicas no estado será inevitável. A necessidade, afirma, se dá por causa da prática de integração lavoura-pecuária (técnica conhecida como ILP), que demanda sementes transgênicas para recuperar áreas de pastagens degradadas.
A adoção da modificação genética nos campos de Roraima ainda não deve se dar na próxima safra, que começará a ser plantada em abril do próximo ano, mas assim que for implementada deve afastar os compradores europeus. Apesar disso, os produtores apostam no mercado asiático para garantir o destino da Produção.
Produtores
A Produção de Soja no estado de Roraima tem sido promovida por agricultores que já possuem fazendas no Centro-Oeste e por roraimenses que tiveram que abandonar suas produções após a demarcação da terra indígena Raposa Serra do Sol pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2005. Desde então, os agricultores migraram para regiões de cerrado, com baixo potencial de irrigação, mas não demarcadas para iniciar outras culturas. Por conta do cenário internacional favorável ao plantio da Soja, a oleaginosa é a cultura que mais tem crescido no estado.
Para os produtores de outros estados, o cultivo de Soja em Roraima é favorável, já que o plantio do grão no estado começa entre abril e maio e a colheita é feita entre setembro e outubro, período em que se concentram as chuvas no estado e também de entressafra da Soja no centro-oeste. "Assim, quando no Mato Grosso se colhe, aqui se planta. Nos anos que o mercado está ávido por Soja e o preço está alto, como nesse ano, se faz uma safra no Mato Grosso e outra aqui", observa Gianluppi.

Fonte: DCI | SÃO PAULO

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