Sem irrigação no campo, renda per capita do gaúcho será superada pela do brasileiro até 2040

Estudo divulgado pela Farsul reforça necessidade de normas mais claras para a implantação de projetos no Estado

Se os investimentos em irrigação não ganharem impulso, em menos de 30 anos a renda per capita do Rio Grande do Sul deve deixar os primeiros postos do ranking brasileiro e puxar para baixo a média do país. Um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Federação de Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado (CDES), realizada no Parque de Exposições Assis Brasil, estima que os estragos da estiagem na economia do Estado podem fazer com que em 2040 a renda média anual dos gaúchos fique menor que a dos brasileiros (R$ 43.758,30 contra R$ 43.747,45). Sem os efeitos da estiagem, a média para o Estado no mesmo ano seria de R$ 53.450,59.

O modelo proposto pela Farsul leva em conta o tempo necessário para um Estado dobrar a sua renda per capita. Para realizar a projeção, o economista da entidade, Antônio da Luz, levou em conta a taxa média de crescimento da renda entre 2002 e 2012, período em que foram registradas dois grandes períodos de seca no Estado (2005 e 2012). Com a economia fortemente baseada no agronegócio, nos dois anos o Produto Interno Bruto gaúcho teve crescimento negativo. Os números reforçaram a necessidade de normas mais claras para a implantação de projetos de irrigação no Estado, tema do debate do CDES na Expointer.

– O Rio Grande do Sul está empobrecendo e a estiagem é um dos fatores que mais influenciam este desempenho – comenta Da Luz.

A meta da Farsul é que em 2023 o Estado tenha 1 milhão de hectares irrigados a mais do que a atual. Hoje, a área com irrigação por pivô, aspersão ou gotejamento é estimada em 125 mil hectares, cerca de 2% do espaço cultivado.

Futuro

A demora para obter o licenciamento ambiental e a disponibilidade insuficiente de energia elétrica no campo foram apontados pelas entidades do setor agropecuário como os principais inibidores da expansão da irrigação no Rio Grande do Sul.

– Hoje temos capital, tecnologia e um produtor disposto a construir reservatórios em suas propriedades, mas precisamos de mais eficiência e rapidez na liberação das licenças – afirma o vice presidente da Farsul e conselheiro CDES, Gedeão Pereira.

Fonte: Zero Hora

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