Sem infraestrutura, soja avança no nordeste de Mato Grosso

Plantio de grãos na região ocupa áreas tradicionais de pecuária de corte

Luiz Patroni/Canal Rural

Foto: Luiz Patroni/Canal Rural

Nos últimos cinco anos, plantio de soja na região nordeste de Mato Grosso cresceu 25%

Na região nordeste de Mato Grosso, a mais nova fronteira de expansão da soja, onde o plantio de grãos avança sobre áreas tradicionais de pecuária de corte, o grande desafio dos produtores rurais, além da conversão das pastagens em terras aptas à agricultura, é superar a infraestrutura precária. A longa distância e as quebras constantes dos caminhões nas estradas esburacadas aumentam os valores dos fretes, o que onera os preços dos insumos e corrói parte dos ganhos no escoamento da safra.
Mesmo com os entraves logísticos, o plantio cresce na região leste de Mato Grosso impulsionado pelas dificuldades para derrubada de matas para abertura de novas áreas, por causa das restrições ambientais, e pelos bons preços da soja, que tornam viáveis os investimentos na conversão de pastagens degradadas em áreas de cultivo de grãos. A região tradicionalmente conhecida como Vale dos Esquecidos, por causa da falta de políticas públicas, passa por um processo de transformação econômica que se consolidará quando os projetos de infraestrutura estiveram concretizados.
Nos últimos cinco anos, o plantio de soja na região cresceu 25%, enquanto a média estadual ficou em 9%. Os dados são do Instituto Mato-grossense de Economia Agrícola (Imea). O cultivo do milho safrinha também cresce no nordeste de Mato Grosso, mas em ritmo inferior ao da soja. O Imea estima o plantio do milho na região em 172,5 mil hectares nesta safra, que correspondem a 18% da área cultivada com soja (1,2 milhão de hectares). A média é inferior à estadual, pois o milho safrinha em Mato Grosso é cultivado em 35% da área onde foi colhida a soja.
O agricultor Gilmar Dellösbel, presidente do Sindicato Rural de Querência (MT), é um dos pecuaristas que está apostando no plantio de grãos. Dellösbel tem 1,7 mil hectares de soja em terras próprias e outros 3,3 mil hectares com dois sócios. Nesta safra, em parceria com os sócios, ele converteu 1,2 mil hectares de pastagens e para a próxima safra pretende converter mais um mil hectares. O investimento apenas na limpeza do terreno, para a retirada do mato e dos resíduos da vegetação nativa nos pastos é estimado em R$ 1 mil.
O produtor rural e consultor Endrigo Dalcin, de Nova Xavantina (MT), calcula que ainda existam mais de três milhões de hectares de pastagens degradadas para serem convertidas em lavouras no leste de Mato Grosso. A corrida pela soja dobrou o custo de arrendamento de terras e, no caso de compra de novas áreas, não existe nem preço de referência.

Agência Estado

Fonte: Ruralbr

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