Selic baixa estimula bancos privados a investir em crédito rural, diz diretor do Santander

Carlos Aguiar Neto, da área de agronegócios da instituição, também destacou que a digitalização vai agilizar e baratear a concessão dos financiamentos dessa modalidade

06 de agosto de 2020 às 17h44
Por Fernanda Custódio, de São Paulo

Os bancos privados estão em uma fase agressiva de financiamento ao setor, impulsionada pela taxa Selic, de acordo com avaliação do diretor de agronegócios do Santander Brasil, Carlos Aguiar Neto. A taxa básica de juros foi reduzida a 2% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), e está no menor patamar da história.

“Nunca tivemos uma taxa Selic tão baixa. O crédito rural, que sempre foi subsidiado, atualmente está acima da Selic, o que faz com que os bancos privados entrem e comecem a explorar esse mercado, que antigamente era dominado pelos bancos públicos. A boa notícia ao produtor é que temos mais competição e isso traz melhor atendimento”, destaca.

O assunto foi um dos temas abordados no segundo episódio do Economia 360, Como Financiar sua Safra. Apresentado por Kellen Severo, o programa desta quarta-feira, 5, teve como tema central o papel dos bancos privados no financiamento do agronegócio.

O cenário econômico também deve impulsionar os investimentos do setor, na visão do especialista. “A parte de investimento vai vir forte, renovação de maquinário, investimento em silos, reforma de pasto, abertura de novas áreas, transformação de áreas de pastagem em áreas de produção agrícola, acho que deveríamos aproveitar para investir com essas taxas boas”, disse Aguiar Neto.

O diretor do Santander Brasil ainda reiterou que o agronegócio é um dos pilares de crescimento da instituição. Desde 2016, o banco privado já abriu mais de 40 lojas agro, com atendimento exclusivo, nas regiões Centro-Oeste e no Nordeste, na fronteira agrícola, e que hoje representam mais de 15% da carteira do banco.

Digitalização

Ainda durante a entrevista, Aguiar Neto lembrou que a digitalização também já é uma realidade dentro das instituições de crédito privadas do setor. O processo, que foi acelerado pela pandemia da Covid-19, agora vai agilizar e baratear o crédito rural aos produtores, segundo o executivo.

“Em 2016, quando cheguei ao banco, recebíamos tudo via malote das agências. Hoje, temos um portal onde acessamos todas as informações. Não lido mais com documentação física, papel. A digitalização chegou para ficar, traz agilidade e acredito que vai baratear o crédito rural, uma vez que diminui o custo operacional”, reforça o diretor.

Concessão de crédito a produtores

Carlos Aguiar Neto ainda explicou o funcionamento da concessão de crédito aos produtores rurais. “O produtor precisa mostrar o histórico de produção, que tem orçamento e plano bem traçado e que está disposto a dar garantias para acessar essa taxa de juros baixa. O crédito do agro não é um pré-aprovado, é um crédito no qual os bancos precisam visitar as propriedades, precisamos entender o histórico e a capacidade de pagamento do
produtor e sua tecnicidade”, disse.

“Temos a obrigação de fazer ofertas de negócios, mas não a de vincular a liberação de crédito e nem de usar parte do dinheiro liberado para a compra de outros produtos, isso é proibido”, afirmou o diretor do Santander, referindo-se à chamada venda casada.

Quer saber mais sobre o funcionamento das operações de crédito rural dentro das instituições privadas? Assista ao programa na íntegra e saiba mais sobre essas novas modalidades de captação de crédito.

Nos próximos episódios, o programa Economia 360 vai mostrar como grandes produtores financiam a sua safra, operações de barter, novo Plano Safra e MP do Agro.

Fonte: Canal Rural

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