Seguro de receita agrícola faz estreia no mercado brasileiro

A UBF acaba de lançar a primeira apólice de seguro agrícola do país que cobre uma parte da receita esperada pelo agricultor com a venda da produção, e não apenas os gastos com o custeio de safra. Antiga reivindicação dos agricultores brasileiros, a novidade, pioneira na América Latina mas muito utilizada nos Estados Unidos, está disponível apenas para a soja e chegou ao mercado em um lote-piloto de dez apólices negociadas no Paraná.

José Cullen, vice-presidente de Riscos Especiais da UBF Seguros, explica que os termos da apólice são definidos a partir de informações que levam em consideração as regras de zoneamento agrícola, a área plantada e a produtividade e a colheita esperadas. A receita esperada deve ser balizada a partir da fixação do preço da soja no momento da contratação, com hedge na bolsa de Chicago. Em caso de oscilações dos preços no momento da venda da safra, para cima ou para baixo, estão previstos mecanismos de ajustes.

 

 

Segundo o executivo, a nova ferramenta de proteção oferece cobertura de até 70% da receita esperada, percentual considerado suficiente para que os agricultores se dediquem a suas lavouras com o afinco de sempre. Se a cobertura fosse de 100%, por exemplo, haveria poucos motivos para a mesma dedicação, uma vez que toda a receita já estaria garantida independentemente dos resultados obtidos.

Nos Estados Unidos, onde esse tipo de apólice foi lançado em 1997 e logo abocanhou purchase drugs online 18% do mercado de seguro agrícola do país, a cobertura é de até 80% da receita esperada. Mas por lá o segmento está maduro. Hoje a modalidade representa 80% do mercado de seguro agrícola americano – que cobre quase toda a produção agrícola do país – e resulta em prêmios anuais totais da ordem de US$ 10 bilhões.

No Brasil, como demonstram os gráficos acima, o mercado como um todo patina e depende diretamente do volume de recursos liberados pelo governo federal para subvencionar os prêmios. Nas apólices tradicionais lançadas no país a partir da implantação do programa oficial de subvenções – há alguns programas estaduais menos relevantes -, esse subsídio vai de 30% a 70%, dependendo do produto e da região de plantio.

Como em 2010 as subvenções recuaram, os prêmios também seguiram a mesma direção e permaneceram abaixo de R$ 200 milhões. A líder do mercado brasileiro é a Aliança do Brasil, ligada ao Banco do Brasil. Apesar da queda geral, Cullen informa que, no caso da UBF, houve uma alta de 20% nos prêmios de seguro rural como um todo, que somaram R$ 49 milhões. O ramo agropecuário, que faz parte do “rural” e inclui as culturas agrícolas, florestas e pecuária, cresceu 17%, para R$ 35 milhões.

Como a nova apólice também é passível de ser contratada com a subvenção federal – de 60%, no caso da soja -, a evolução do novo mercado dependerá do volume de recursos liberado pelo governo. O Ministério da Agricultura prevê R$ 406 milhões para o apoio, mas já se sabe que o orçamento do governo como um todo será ajustado.

De qualquer forma, diz Cullen, a “intenção” é chegar a 300 apólices esse ano, tendo em vista o plantio de soja da próxima safra de verão (2011/12), que começará em setembro. As dez primeiras apólices negociadas com clientes tradicionais do Paraná renderam, no total, prêmios de R$ 300 mil. Apólices do gênero para culturas como milho e algodão estão previstas, mas sem data de lançamento definida.

Consultado pelo Valor, o departamento de Gestão de Risco Rural do Ministério, defensor da ampliação dos recursos para as subvenções, confirmou o ineditismo da apólice do UBF. Em comunicado, considerou a ferramenta “uma evolução no segmento, já que é uma alternativa de cobertura mista que cobre produção e receita”.

Contexto

O argentino José Cullen foi o primeiro diretor técnico da UBF na área de seguro rural. Assumiu o cargo em 2003, quando foi criada a Seguradora Brasileira Rural, controlada pela holding UBF Participações. A holding, por sua vez, tinha como acionistas as multinacionais Swiss Re (45%) e Enhance Financial Service (45%), além da Rio Bravo Securitizadora (10%). Nos últimos anos, antes de voltar ao Brasil e assumir a vice-presidência de Riscos Especiais da UBF Seguros, Cullen trabalhou diretamente na Swiss Re. Em setembro de 2010, a Swiss Re e o IFC, braço do Banco Mundial, concordaram em injetar US$ 40 milhões e a “nova” UBF Seguros passou a ter a resseguradora como acionista majoritária e o IFC como único acionista minoritário. Luiz Roberto Paes Foz continua na presidência da UBF Seguros. Para ele, a meta de crescimento de 20% no segmento rural estabelecida para este ano é “ambiciosa”, principalmente em consequência das incertezas que ainda cercam o real volume de recursos que alimentam a política de apoio do governo.
 
Valor Econômico

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