Segunda geração da soja transgênica chega ao Brasil

Fonte: Ruralbr

Produtores brasileiros começam a plantar em caráter experimental no mês de outubro

Alessandra Mello | Monmouth (EUA)

A partir de outubro 500 produtores brasileiros começam a plantar em caráter experimental uma a segunda geração da soja transgênica. É a semente que combina duas características, o controle da lagarta e a tolerância ao glifosato. Os primeiros testes, foram feitos no território americano, mas esta soja foi desenvolvida especificamente para o mercado brasileiro, já que o problema na lagarta não preocupa, não chega a causar prejuízos significativos nos Estados Unidos.

Sob o sol forte do verão americano, uma lavoura de soja feita para o Brasil. A soja protegida por telas está na fazenda experimental da Monsanto em Monmouth, mas foi desenvolvida para o mercado brasileiro.

– É a primeira soja desenvolvida para um país específico, fora dos Estados Unidos. O Brasil é o segundo mercado mais importante para a companhia e que deve ter um crescimento mais acelerado em relação a outros países. Por isso vamos aumentar a demanda por novas tecnologias – ressalta a o diretor internacional da Monsanto, Jesus Madrazo.

A pesquisa começou nos Estados Unidos mas foi desenvolvida no Brasil, para garantir que a tecnologia fosse adaptada ao clima no país. Além disso, a principal função da nova semente, o controle das principais lagartas que atacam a soja, não é uma demanda do produtor norte-americano.

A grande diferença da soja Intacta, que muitos chamam de soja BT, é o fato de pertencer a uma segunda geração de transgênicos. Aqueles que associam duas características. Neste caso, é a resistência a lagarta e a tolerância ao herbicida glifosato. A nova soja foi autorizada no Brasil, mas a empresa ainda aguarda a liberação dos mercados consumidores, para onde exporta o produto.

Além do Brasil, já aprovaram a comercialização da Intacta, os Estados Unidos, o Canadá, a Austrália, a Nova Zelândia e o México. Na Europa houve apenas uma primeira fase de aprovação. Ainda faltam mercados importantes, como Japão e China.

– É difícil prometer o que o governo deve aprovar e o que não vai. Nós passamos todas as informações, respondemos os questionamentos e mantemos um contato continuo com os agentes de regulação. Não vamos prejudicar o comércio mundial, enquanto não tivermos a aprovação total da tecnologia, não vamos vender aos nossos clientes – afirma o líder da área de soja da Monsanto, Ernie Sanders.

Se tudo der certo, a soja Intacta deve estar a disposição para o plantio na safra 2012/2013. Antes disso ocorre um passo importante. Em outubro 500 propriedades no Brasil já devem plantar áreas com menos de um hectare com a nova tecnologia. É uma última fase, para ouvir a opinião dos produtores e avaliar a semente na lavoura.

– Estes produtores parceiros vão nos ajudar a ver qual o real valor que esta tecnologia traz, a experiência deve ajudar a orientar os produtores e a Monsanto, afinal ainda temos um ano provavelmente até o lançamento – diz Sanders.

A expectativa da empresa é que a nova soja vá substituindo aos poucos a soja tolerante ao glifosato, que hoje ocupa mais de 76% das lavouras brasileiras. Um detalhe importante é que a soja Intacta vai necessitar de 20% de refúgio com sementes convencionais.

– O manejo para o produtor será diferente. Eles precisarão de algumas orientações, vão usar menos inseticida, o produtor não controla todos os insetos. Vão precisar também fazer o refúgio, mas temos muitas variedades convencionais disponíveis pra fazer isso – explica o executivo.

Nos Estados Unidos há também a discussão sobre a resistência que algumas ervas daninhas teriam adquirido ao longo do tempo nas lavouras de soja RR. A empresa já criou um programa especifico para orientar o agricultor a fazer o chamado controle residual. Outra resposta ao problema no futuro é o lançamento de produtos como a soja tolerante a outro herbicida o Dicamba.

– Estou muito animado com esta pesquisa. Começamos cinco anos atrás, este ano visitei os campos experimentais e os resultados são muito bons. Vamos conseguir combater algumas das plantas daninhas que se tornaram resistente ao glifosato – conta o cientista chefe da Monsanto, Dr. Robb Fraley.

A soja resistente ao Dicamba deve ser lançada nos Estados Unidos em 2013, já no Brasil, somente depois de 2017.  Mas as novidades para o futuro da lavoura não param por aí.

A soja com Omega 3 e também a vistive gold, que produz óleo com pouca gordura saturada, devem ser lançadas nos Estados unidos no prazo máximo de três anos. Por isso, ainda não há previsão de quando devem chegar ao Brasil.

– É a terceira geração de transgênicos – diz o líder de soja Ernie Sanders.

E depois disso, qual o caminho da biotecnologia? Para os cientistas não há limite. Só uma pista. O futuro é animador e o Brasil é parte importante deste futuro.

CANAL RURAL

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