Segmento de crédito espera por novas resoluções para manter suas taxas de crescimento

Sistema cooperativo evolui desde 2009 devido à liquidez, diz Trombka

Sistema cooperativo evolui desde 2009 devido à liquidez, diz Trombka

Em um ano marcado pela retração econômica, as cooperativas de crédito enfrentam novos desafios para sustentar os níveis expressivos de crescimento registrados ao longo dos últimos 9 anos. Uma nova norma do Banco Central (BC), prevista para agosto, deve reformular a Resolução nº 3.859 e desamarrar as regulamentações para o funcionamento das instituições deste segmento.
Em novembro de 2014, a autoridade monetária havia formalizado a autorização para a emissão de Letras Financeiras (LFs). A medida trouxe efeitos imediatos para o fortalecimento do patrimônio de referência das cerca de 1.139 instituições que integram o segmento no Brasil. Além disso, três projetos de lei (PLs) em tramitação (PL nº 409/11, PL nº 271/05 e PLP nº 100/09) prometem gerar benefícios. Entre eles, o acesso de repasses de recursos dos chamados Constitucionais de Financiamento, alterações tributárias e permissão para operações financeiras, como a captação de depósitos e concessão de crédito junto aos órgãos públicos municipais.
Conforme esclarece o coordenador do conselho consultivo do ramo de crédito da entidade que congrega os representantes deste segmento, a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Celso Regis, a resolução deve flexibilizar a abertura para novos segmentos. "A ideia é retirar a segmentação das cooperativas e abrir para o público em geral. Contaremos com a possibilidade de que aqueles que estão com os recursos em outras instituições comecem a utilizar as cooperativas", define.
O presidente da Unicred, Léo Trombka, por sua vez, destaca que desde 2009, após a crise financeira, o sistema cooperativo evolui em razão da liquidez. "Quando surge esse tipo de crise, não precisamos aumentar taxas de juros e reduzir prazos de pagamentos, porque temos liquidez e emprestamos para o nosso cooperado", comenta.
A cooperativa, criada em 1989, por médicos da Unimed, hoje em dia, conta com uma carteira de 200 mil cooperados e atua junto aos profissionais da saúde e outras categorias, como arquitetos e engenheiros. A instituição, que conta com R$ 6 bilhões em depósitos à prazo, cresceu cerca de 20% em depósitos totais, 22% em ativos, 17% em operações de crédito e 18,02% em patrimônio líquido 18,02%. Os números apresentados superam, inclusive, o desempenho de diversos bancos de capital aberto.
A explicação, segundo Trombka, passa pelas taxas diferenciadas. A diferença, nas linhas para pessoa física, por exemplo, pode variar de 1,84% ao mês (na cooperativa) até 6,47% (em alguns bancos tradicionais). "É uma realidade, porque temos esse princípio. Isso gera uma menor inadimplência. Ocorre que estamos melhores preparados para absorver crises em razão do tipo de estrutura", diz.
O chamado ramo de crédito, desde 2008, cresce em uma velocidade média de 26% ao ano. Isso significa que, a cada triênio, o setor dobra de tamanho. No início deste ano, o BC divulgou um relatório identificando que o conjunto das cooperativas de créditos registrou alta de 22% no volume de ativos, enquanto o S?NF cresceu 14%. Atualmente, o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo (SNCC) é formado por cinco confederações, 37 centrais, 1.106 cooperativas singulares, dois bancos cooperativos, 5.333 pontos de atendimento e 7,5 milhões de associados. Entre 2006 e 2014, os ativos do setor saltaram 590%, totalizando R$ 143 bilhões. O patrimônio líquido cresceu 418%, registrando R$ 25,9 bilhões, e o número de associados foi ampliado em 171%, totalizando 7,5 milhões pessoas, segundo a OCB. Em 2014, os ativos atingiram R$ 202 bilhões.

Fonte: Jornal do Comércio Rafael Vigna

ANTONIO PAZ/JC

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