Secretário do RS defende ação para reter produtos no mercado interno

Para secretário de agricultura, setor age de modo pouco inteligente

por Raphael Salomão, de Esteio (RS)

Editora Globo

Reforço no sistema público e privado de armazenagem é uma das medidas de retenção de produtos defendida pelo secretário da Agricultura do RS (Foto: Editora Globo)

O secretário de Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Rio Grande do Sul, Luiz Fernando Mainardi, defendeu neste sábado (24/8) a adoção de iniciativas para reter produtos agrícolas e priorizar o abastecimento interno. Para ele, o setor atua de forma “pouco inteligente”, apenas reagindo a aspectos momentâneos.
Entre as medidas, estariam reforço no sistema de armazéns públicos e privados e maior oferta de crédito para o produtor e para as indústrias. Desta forma, quem vende poderia controlar melhor sua atuação no mercado e quem compra poderia competir melhor com a concorrência externa.
Mainardi negou, no entanto, que defenda proibição de exportações. “Somos uma economia de livre mercado. Não se trata de fazer igual a Argentina, que proibiu exportações.”
Ele reconheceu também que é difícil estabelecer políticas de retenção em momentos como o atual, em que a valorização do dólar se mostra favorável às vendas externas. “O mercado reage de acordo com a situação de momento, tanto da economia nacional quanto da economia internacional”.
Como exemplo de consequência dessas reações, o secretário mencionou o mercado gaúcho de milho, que teve o abastecimento prejudicado na atual safra. De acordo com a Conab, a produção total 2012/2013 no Rio Grande do Sul é de 5,38 milhões de toneladas, 61,1% a mais que no período anterior.
O consumo no estado, explicou, está em 5,8 milhões de toneladas. Além da produção menor do que a demanda, parte é vendida para Santa Catarina. “Não tem como evitar que Santa Catarina compre. O problema é que, como a gente produz cedo, acaba exportando muito e ficamos sem milho. Temos que trazer de outro lugar”.
O secretário acredita que o Rio Grande do Sul deve precisar de mais de 2 milhões de toneladas do cereal do Centro-oeste. “Para a economia do estado é muito ruim. Quando se exporta milho, é sem ICMS. E quando vai recuperar os estoques para a produção de ração, tem que trazer do Centro-oeste e chega com ICMS”.

Trigo

O Secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul informou que uma política de retenção no estado vem sendo estudada para o trigo. Uma das medidas será disponibilizar parte da estrutura da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) para a retenção do cereal. A Cesa detém 2% dos armazéns do estado, de acordo com Luiz Fernando Mainardi. 
“Precisamos também criar mecanismos para que o produtor possa optar em ficar com o produto e vender em outro momento”, disse, sem especificar quais seriam.
A produção gaúcha do cereal deve crescer 29,6% nos cálculos da Conab, chegando a 2,45 milhões de toneladas. Luiz Mainardi explicou que o estado demanda internamente 1,1 milhão, mas a indústria local compra apenas 300 mil.
“Precisamos reter o máximo de trigo aqui, fazer com que as nossas indústrias de farinha tenham recursos e disputem com importadores. Se o preço está R$ 28, eles vão pagar R$ 28,10 para o trigo ficar. É a situação ideal. Vamos chegar lá? Não sei. Queremos que, no trigo, fique aqui uma parte maior do que a que sempre ficou”.
O secretário fez as declarações ao participar, durante a Expointer, em Esteio (RS) do anúncio dos vencedores do Prêmio Melhores da Terra, promovido pela Gerdau.

Fonte: Globo Rural

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