Secretário diz que queda no preço do café se deve a fatores externos

Segundo ele, nos últimos dez anos a participação de arábica nos blends recuou 10%

por Estadão Conteúdo

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O Brasil é o maior produtor mundial de café da variedade arábica (Foto: Shutterstock)

O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Gerardo Fontelles, que responde interinamente pela Secretaria de Produção e Agroenergia, que implementa a política cafeeira, rebateu as críticas de que a queda dos preços do café se deve à falta de apoio do governo ao setor. Ele lembrou que nesta safra o governo destinou R$ 5,8 bilhões para financiar a comercialização e estocagem, além de realizar leilões de contratos de opções de venda de café a R$ 343/saca, cujo exercício ocorrerá em março do próximo ano.
Na avaliação do secretário, a queda de preços, apesar das medidas de apoio do governo para ordenar a oferta, se deve à "ambiência externa" do mercado cafeeiro. Ele explica que nos últimos dez anos a participação do café da variedade arábica nos blends recuou 10 pontos porcentuais, para 60% do consumo mundial, enquanto a do robusta (conilon) cresceu 10 pontos porcentuais, para os atuais 40%. O Brasil é o maior produtor mundial de arábica e o Vietnã de robusta. Nesta safra o Brasil produziu 77% de cafés arábica (36,66 milhões de sacas) e 23% de robusta (10,88 milhões de sacas).
Questionado sobre a proposta do deputado mineiro Carlos Melles de trocar parte das dívidas dos produtores pela erradicação de cafezais, Gerardo Fontelles afirmou que a derrubada das lavouras é uma decisão pessoal e econômica dos cafeicultores. Ele lembrou que esta questão foi tratada no histórico Convênio de Taubaté, assinado em 1906 pelos governadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo para enfrentar uma das maiores crises da cafeicultura. "Eu não entendo política agrícola restringindo produção", disse Fontelles.
Em relação ao pedido de suspensão do pagamento de parcelas das dívidas – o governo de Minas Gerais pede que seja por 120 dias e as lideranças da cafeicultura querem 90 dias -, o secretário Fontelles afirmou que o primeiro passo será definir quais são os financiamentos e as fontes, para avaliar qual tipo de intervenção o governo pode adotar. "Só poderemos dar este prazo se tiver mais ou menos indicado o instrumento de viabilização destas operações", diz ele.
A crise da cafeicultura tomou conta da pauta da reunião do Conselho Nacional do Café (CDPC), que reúne representantes do governo, dos produtores e cooperativas, além das indústrias de torrefação e exportadores. As lideranças rurais cobram do governo a definição até o final deste ano da política de apoio ao setor que será implantada no próximo ano. Fontelles disse que o governo deve sinalizar com R$ 4 bilhões para apoiar o setor no próximo ano, sendo que o valor pode duplicar se houver contrapartida de recursos por parte do agente financeiro, como houve neste ano com o Banco do Brasil.

Fonte: Globo Rural

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