Seca reduz safra de verão gaúcha

Recuo de R$ 2 bilhões em relação ao ciclo 2010/2011 deve subir com maior risco para soja e previsão de onda de calor

Milho é a cultura mais atingida até agora com quebra de 25,17% Crédito: DEOLÍ GRAFF/ ESPECIAL / CP

Milho é a cultura mais atingida até agora com quebra de 25,17%
Crédito: DEOLÍ GRAFF/ ESPECIAL / CP

O Rio Grande do Sul deixará de colher 1,765 milhão de toneladas de feijão, milho e soja nesta safra devido à estiagem. As perdas irreversíveis divulgadas ontem pela Emater já representam prejuízo de R$ 877,9 milhões considerando apenas a receita que não irá circular. Os dados, referentes até fim de dezembro, levam em conta a estimativa inicial de produção, que, somando as três culturas, caiu de 15,686 milhões para 13,920 milhões de t. Se comparada com a safra 2010/2011, a queda é ainda maior: 3,66 milhões de t, recuo de renda de R$ 2,08 bilhão. A situação pode ser considerada calamitosa já que a Emater não possui projeções sobre a quebra na produção de arroz, fumo e leite.
Segundo o diretor técnico da Emater, Gervásio Paulus, a tendência é de agravamento do cenário. Além da falta de chuva, a elevação da temperatura prevista para os próximos dias deve atingir em cheio a soja, que entra em sua fase mais crítica neste mês. Até o final de janeiro, 40% das lavouras semeadas entrarão em floração, quando a planta fica extremamente sensível à falta de umidade no solo. "O calor excessivo já é um problema quando as precipitações são normais. Se isso se confirmar, aumenta a evaporação da água já escassa", explica. Na próxima semana, a empresa deve fechar novo levantamento com dados atualizados das últimas semanas.
As previsões são desanimadoras para a economia gaúcha. Segundo o economista da Fecoagro, Tarcísio Minetto, além do recuo de receita, também haverá aumento de custos na produção de aves, suínos e gado leiteiro, devido à necessidade de importação de milho e queda na arrecadação de tributos.
Mesmo após duas safras fartas, a seca pega a maioria dos produtores ainda em recuperação financeira. De acordo com o economista e consultor da Farsul Antônio da Luz, 2011 foi o ano de pagar as contas, pois os agricultores carregavam passivo desde 2005, devido a estiagens e crises de preço. "É sempre assim: quando se consegue o equilíbrio, vem a seca." O economista defende uma política pública ampla de incentivo à irrigação. "O governo está olhando pelo lado errado, não basta fazer açudes", critica.
No caso do Pronaf, os produtores têm a proteção do Proagro, seguro que cobre 100% do crédito. De acordo com o secretário Nacional de Agricultura Familiar do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Laudemir Müller, o montante segurado no Estado é de R$ 1,5 bilhão. O Proagro ainda cobre até 65% da renda estimada até R$ 3,5 mil. O valor, contudo, é considerado insignificante pelo coordenador da Fetraf-Sul Celso Ludwig.

Fonte:  Correio do Povo

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