Seca reduz em 28,7% a safra de verão gaúcha

Soja foi a cultura mais afetada, com queda expressiva de 42,2% na produção, seguida pelo milho, em baixa de 28,4%
A seca provocou uma queda de 28,7% na safra de grãos de verão no Estado, com uma colheita de 22,46 milhões de toneladas, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira pela Emater.No ciclo 2018/2019, a produção gaúcha havia sido de 31,50 milhões de toneladas.

As maiores perdas foram na soja, que teve uma redução de 42,2% na produção, atingindo apenas 10,7 milhões de toneladas, contra 18,5 milhões de toneladas na safra passada. Segundo o diretor técnico da Emater, Alencar Rugeri, a cultura foi extremamente afetada no período mais crítico para o desenvolvimento de grãos, que é o final de fevereiro e o início de março, quando em torno de 60% das lavouras gaúchas estavam em fase de enchimento de vagens. Com isso, a produtividade da soja, que, no ano passado, foi de 3.178 quilos por hectare, caiu 43,6% nesta safra, para 1.793 quilos por hectare.

Marcelo Beledeli marcelo@jornaldocomercio.com.br Outra lavoura fortemente atingida foi o milho, que registrou uma produção de 4,11 milhões de toneladas no Estado, volume 28,4% menor do que as 5,74 milhões de toneladas do ciclo 2018/2019. A produtividade da cultura diminuiu 30,2%, caindo de 7.515 quilos por hectare, na safra passada, para 5.248 quilos por hectare na atual.

Das culturas de verão, a única que apresentou crescimento foi o arroz. As lavouras arrozeiras gaúchas produziram 7,58 milhões de toneladas, volume 5,7% maior do que as 7,17 milhões de toneladas de 2018/2019. Os menores volumes de chuvas acabaram beneficiando o setor orizícola, que teve um crescimento de produtividade de 8,3%, passando dos 7.417 quilos por hectare registrados na safra anterior para 8.030 quilos por hectare no ciclo 2019/2020.

Segundo Rugeri, o avanço da seca durante o verão fez com que a coleta de dados sobre a produção fosse muito mais difícil para a Emater. O diretor técnico lembrou a polêmica gerada pelas estimativas divulgadas pela entidade durante a Expodireto, no início de março, quando a instituição apontava uma queda de apenas 16% na safra de soja em relação à estimativa original divulgada em agosto, durante a Expointer. Alguns dias depois, a Emater atualizou a estimativa para uma redução de 32,2%.

“Desde que implementamos a metodologia de estimativa, nunca tivemos tantas dificuldades de apuração, que foram geradas devido à intensidade da seca e pela flutuação das condições hídricas pelas regiões do Estado e ao longo do tempo”, destacou.

Rugeri lembrou que o levantamento da Emater abrange 90% dos municípios produtores de cada cultura pesquisada.

No caso da soja, a região da Emater que apresentou maior queda na produtividade em relação à estimativa inicial de antes do plantio foi a de Soledade, com redução de 63%, passando de 3.361 quilos por hectare para 1.235 quilos por hectare. No milho, a maior quebra, também da ordem de 63%, foi na região de Pelotas, com a produtividade caindo de uma previsão de 3.846 quilos por hectare para apenas 1.417 quilos por hectare.

Fonte: Jornal do Comércio

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