Seca no Nordeste ao lado de rios caudalosos

A Justiça mandou não apenas paralisar as obras da gigantesca usina de Belo Monte por problemas de compensações ambientais como proibiu o Bndes de repassar recursos ao consórcio que constrói o empreendimento, fundamental ao abastecimento energético em futuro próximo para o Brasil. Que o Brasil é um país-continente, sabemos desde os bancos escolares. Mirando o mapa da América do Sul, observa-se a grandiosidade territorial do nosso país, ao lado dos demais. Somos o único povo da América Latina a falar português. Da Patagônia até o México, todos os demais falam espanhol. Tão grandes e, por isso mesmo, com tantas disparidades, sejam sociais, sejam físicas ou meteorológicas.
Enquanto no Sul temos frio e muita chuva, no Nordeste, a seca continuava, há meses, castigando o sofrido povo simultaneamente ao clima daqui. Desde o Brasil Império, com Dom Pedro II, em 1847, a transposição das águas do rio São Francisco para amenizar, para mitigar a sede dos nordestinos é ideia pensada e repensada. Pois anunciada como a grande obra do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 1), está inconclusa, para desespero dos que estão morrendo próximos do cognominado “Rio da Integração Nacional”, tantas estados e regiões inóspitas ele percorre até chegar ao mar.
Os periódicos atrasos das obras de transposição das águas do São Francisco desanimam e castigam o Nordeste. Tudo está parado em meio às tradicionais – no Brasil – suspeitas de corrupção. É quase uma doença, lastimável, e beirando ao nojo essa situação no País. A transposição do São Francisco, de qualquer forma, é o mais caro dos projetos do PAC no governo Dilma Rousseff. As águas do São Francisco serão levadas numa extensão de 470 quilômetros e beneficiarão 325 comunidades que residem a uma distância de até cinco quilômetros de cada margem dos canais.
Por isso mesmo, a presidente defendeu o trabalho. Segundo ela, as obras de transposição do rio São Francisco estão em pleno andamento, com mais de 6,5 mil trabalhadores nos canteiros e 1,8 mil equipamentos em atividade. A transposição do São Francisco prevê a construção de mais de 600 quilômetros de canais de concreto para desviar parte das águas do rio  para o semiárido de quatro estados do Nordeste: Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, visando a projetos de irrigação. A presidente ressaltou que a participação da engenharia do Exército tem sido importante no projeto do São Francisco, em um trabalho complementar ao das construtoras privadas. “Os canais de aproximação dos Eixos Norte e Leste foram concluídos pelos militares. O Exército está construindo ainda estradas de acesso às estações de bombeamento e cuidando de obras em outras áreas, como estradas e aeroportos”, afirmou. Na análise da presidente, a parceria entre o setor público e o privado, com o auxílio do Exército, é boa para a infraestrutura do País. A presidente argumentou que, sob essa fórmula, ao mesmo tempo em que são executadas soluções para gargalos estruturais, a equipe técnica militar é mantida sempre mobilizada e em contato com as mais modernas tecnologias construtivas. É um elogio e tanto, embora o País saiba que sempre conta com os “brasileiros fardados”.

Fonte: Jornal do Comércio |

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