Seca não é destino | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

Impressionantes as imagens da seca gaúcha em Zero Hora de ontem. Lembram as terríveis secas do Nordeste, imortalizadas nas obras de Graciliano Ramos e João Cabral de Melo Neto. A terra craquelada, camponeses desolados, prejuízos… Com a repetição cada vez mais frequente do fenômeno, o Rio Grande do Sul não pode incorrer no mesmo erro de Estados nordestinos que, por décadas, dependeram – e ainda dependem – do socorro emergencial de Brasília. Seca não é destino. A referência para o Estado tem de ser os países e as regiões do mundo que aprenderam a conviver com a escassez de água, e não abdicaram de sua agricultura. Temos chuva de sobra no inverno. Existe tecnologia para armazenar e distribuir essa água aos rebanhos e plantações no verão. Custa caro? Custa.
Mas ainda sai mais barato do que indenizar milhares de lavouras perdidas.
Sem falar de que nada poderia ser pior para a autoestima de nossos agricultores do que a criação de uma “indústria da seca”.

Fonte: ZH | OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

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