Seca leva à revisão de área na Argentina

O plantio da safra 2014/15 de soja na Argentina está virtualmente encerrado e, como no Brasil, os efeitos do clima seco preocupam, o que já motivou uma revisão na estimativa de área plantada na reta final da semeadura.

Levantamento divulgado pela Bolsa de Cereais de Buenos Aires indicou que o plantio estava concluído em 98,2% da área prevista para a oleaginosa até quinta-feira passada. Entretanto, a estiagem, que recrudesceu desde o início do ano em parte das regiões produtoras, levou a bolsa a reduzir em 1% (200 mil hectares) sua previsão para a área plantada com soja, em relação à estimativa anterior, para 20,4 milhões de hectares. Se confirmada, será um crescimento de 2% na comparação com os 20 milhões de hectares do ciclo 2013/14.

A situação é mais complicada nas regiões sudeste e sudoeste da província de Buenos Aires, e no sul de La Pampa (extremo sul do cinturão produtor), onde a baixa umidade nas últimas semanas impediu que todo o plantio projetado fosse feito dentro da janela. A ausência de chuvas chegou a preocupar também no extremo norte do país, mas precipitações nos últimos dias devem contribuir para que os trabalhos de campo sejam encerrados.

Contudo, há condições bastante heterogêneas entre as regiões produtoras argentinas. No centro-norte do país, por exemplo, que abrange as províncias de Santa Fé e Entre Rios, o excesso de precipitações é que atrapalhou o plantio. Há registros, inclusive, de perdas parciais nas lavouras, de acordo com informações da Bolsa de Cereais.

A maioria das lavouras de soja argentinas encontra-se entre as fases de floração e formação de vagens e, mesmo com os solavancos do clima, as condições de desenvolvimento ainda são consideradas boas. O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) prevê uma colheita de 55 milhões de toneladas de soja na Argentina nesta safra 2014/15, volume que é um milhão de toneladas inferior ao do ciclo passado.

O cultivo de milho também está próximo de ser encerrado no país. De acordo com a Bolsa de Cereais, o país já semeou 91,6% da área prevista, de 3 milhões de hectares, queda de 21% ante 2013/14. Como milho e soja partilham as mesmas regiões de cultivo na Argentina, os problemas enfrentados por ambas as culturas são semelhantes em cada província.

As lavouras no oeste do cinturão (que inclui parte de Córdoba, principal produtor de milho, além de La Pampa e oeste de Buenos Aires) sofreram com o estresse hídrico. Mais a leste, as chuvas abundantes é que dificultaram a semeadura do grão, e também há registros de perdas parciais e totais de lotes. A Argentina deve colher 22 milhões de toneladas de milho na atual temporada, baixa de 12% em relação à anterior, nas contas do USDA.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano

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