Seca faz preço do feijão subir

Valor ao produtor aumentou 31,4% em relação a 2011, e supermercados projetam alta de mais 20%

A segunda safra gaúcha de feijão chega à fase final de colheita com preço médio para o produtor 31,4% mais alto do que no ano passado, de R$ 95,18 por saca de 60 quilos. O valor pago ao produtor no ponto mais alto já registrado em 2012 deve se traduzir em aumento para o consumidor.
Nos supermercados, deve ocorrer nos próximos dias um aumento de até 20% no preço do produto. O movimento ocorre pelas perdas provocadas pela seca. No último levantamento da Emater, a projeção era de que a produtividade média no Estado ficasse em torno dos 18 sacas por hectare. Mas o gerente técnico estadual da entidade, Dulphe Pinheiro Machado Neto, avalia que os resultados devem ser inferiores.
– Ainda não concluímos nosso levantamento semanal, mas o índice deve ser bem menor que o que havíamos projetado anteriormente. O produtor não pode comemorar nem o preço bom, pois já perdeu muito com a seca – afirma o gerente.
Segundo Renan Gomes, analista de mercado da consultoria Safras & Mercado, os preços sobem desde março, devido à alta procura combinada à falta de produto. A manutenção do valor depende do dólar.
– O feijão preto pode até ser importado da Argentina e da China. Mas isso depende da cotação do dólar, que é uma moeda instável. Não há como prever se será mais rentável para a indústria comprar de outros países ou no mercado interno – explica Gomes.
Dados do Centro de Estudos e Pesquisas Econômicas (Iepe), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), apontam no último ano uma variação de 20,27% no preço pago pelo feijão nos supermercados da Capital. Esse aumento pode dobrar no Estado nos próximos 15 dias, segundo o gerente executivo da Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), Francisco Schmidt.
– Redes maiores, com estoque amplo, poderão ir elevando o preço aos poucos. Mas o lojista que precisa comprar da indústria agora está pagando mais caro e vai repassar isso ao consumidor – aponta Schmidt.
O preço deve se manter elevado nos supermercados pelo menos até outubro, projeta a Agas. A partir desse mês, começa a entrar no mercado o produto da próxima safra.
roberto.witter@zerohora.com.br

ROBERTO WITTER

Fonte: Zero Hora

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