Seca expõe fragilidade do abastecimento de água

São Paulo vive em 2014 a pior crise hídrica de sua história recente. Com os reservatórios do Sistema Cantareira, que abastece metade da Região Metropolitana, com apenas 12% da sua capacidade total, a quantidade de água disponível por habitante hoje na capital paulista é inferior à do semiárido nordestino. A seca prolongada no verão deste ano expõe uma fragilidade no sistema de abastecimento do Estado.

Entre 1995 e 2013, a Sabesp investiu R$ 9,13 bilhões para garantir o fornecimento na Região Metropolitana de São Paulo. Sem esses recursos, a maior cidade do país já teria entrado em colapso hídrico há muito tempo. O ciclo de investimentos permitiu atender o crescimento populacional da região, e beneficiou 5,2 milhões de pessoas, ao encerrar o rodízio no fornecimento de água, que vigorou entre 1995 e 1998.

Segundo a Sabesp, os recursos aumentaram a capacidade de produção dos sistemas que abastecem São Paulo de 57,6 para 73,2 metros cúbicos por segundo. "O aumento sozinho seria suficiente para abastecer Salvador e Fortaleza", informa a companhia.

Para contornar o problema de fornecimento, a saída é buscar água cada vez mais longe. Mais precisamente a 83 km da capital paulista. Previsto para entrar em operação em 2018, o Sistema Produtor São Lourenço vai retirar água da Cachoeira do França, em Ibiúna, e transportá-la até os moradores da Região Metropolitana de São Paulo. A obra começou em abril deste ano, em regime de PPP, e deve custar R$ 2,2 bilhões. Outro projeto é a proposta de interligar a Represa de Jaguari, abastecida pelo Rio Paraíba do Sul, com a Represa de Atibainha, que faz parte do Sistema Cantareira. A obra, de 15 km, custaria R$ 500 milhões, mas a ideia enfrenta resistência no Rio de Janeiro, cuja principal fonte de abastecimento na Região Metropolitana é o Rio Guandu, por meio da transposição de águas da Bacia do Paraíba.

"Em questão de segurança hídrica, referente à disponibilidade, diferentemente de outros Estados, não vemos problemas quantitativos no Rio de Janeiro", diz Jorge Briard, diretor de produção da Cedae. "A não ser que houvesse uma mudança na regra operativa hoje praticada, o que não nos parece que seria uma decisão pautada nas questões técnicas que envolvem esta matéria".

Enquanto o Sistema São Lourenço não entra em operação, e a interligação da Cantareira ao Paraíba do Sul é objeto de disputa entre os dois Estados, resta à Sabesp tornar sua rede mais eficiente, reduzindo perdas e estimulando o consumo racional. "Desde 1996, mantemos o Programa de Uso Racional da Água (Pura). Os resultados alcançados são significativos. As ações coordenadas permitiram reduzir em 29% a média de consumo residencial na região metropolitana de São Paulo", informa a companhia.

Sem novos projetos em vista para buscar água em novas fontes, o Rio de Janeiro também investe no melhor aproveitamento dos recursos. "A Cedae mantém um Programa de monitoramento em pontos chaves dos sistemas hídricos que servem à Companhia como mananciais, com o objetivo de conferirmos maior confiabilidade e minimizarmos os riscos", explica Briard.

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Fonte: Valor | Por Carlos Vasconcellos | Para o Valor, do Rio

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