Seca assola o Nordeste

Pior estiagem em 30 anos deixa 525 municípios em estado de emergência

O quadro é de desolação no semiárido nordestino, que enfrenta a pior seca dos últimos 30 anos – desde a dificuldade de água para beber à destruição de plantações e perda de animais. São 525 municípios em estado de emergência na região.

Em Pernambuco, são 70 os municípios com os problemas já expressos em alguns números da Secretaria Estadual de Agricultura: na maioria dessa área a redução das chuvas foi em média de 75% – chegando até 92% em alguns – e a maioria dos açudes do sertão está com 30% da sua capacidade. A falta de chuva causou a perda de 370 mil toneladas de GRÃOS. Nos cem primeiros dias do ano, o número de animais vendidos para fora do estado é 73% maior que o do mesmo período de 2011.

"Os criadores, a maioria deles pequenos, estão se desfazendo dos seus animais porque falta ração, falta capim, falta sorgo", afirma o secretário estadual de Agricultura e presidente do Comitê Integrado de Combate à Seca de Pernambuco, Ranílson Ramos, que prevê dificuldade de recomposição do rebanho depois da estiagem, já que as fêmeas de boa linhagem têm sido comercializadas para o Pará e Maranhão.

Nem todos os criadores, no entanto, têm a sorte de conseguir vender seus animais. "É uma tristeza a gente ver os agricultores de peque-nos sítios da área rural de Águas Belas pegarem seus bichos já muito magros para levar para as feiras na cidade e voltarem com eles", afirmou o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Águas Belas, no sertão pernambucano, André de Santana Paixão. Com 33 anos, André só se lembra de ter visto secas tão fortes em 1983 e em 1998.

SEM FOME

Ele reforça o que diz o governo: pelo menos por enquanto a população atingida não passa fome. O Bolsa Família chega a 850 mil famílias no agreste e no sertão. Os carros-pipas – única fonte de abastecimento d"água – voltaram a povoar a região semiárida. Ranílson dize que o estado precisa de 1,5 mil deles para atender as comunidades. Por enquanto, são 1,1 mil na região – 600 do governo estadual e o restante do Exército e de prefeituras.

O Governo Federal liberou R$ 23,5 milhões para a execução de obras de restabelecimento de serviços essenciais prejudicados pela estiagem no Maranhão, onde a falta de chuvas causou perdas no cultivo de arroz e milho.

Cheia no Amazonas

No Amazonas, 39 dos 62 municípios decretaram situação de emergência devido à cheia que atinge o estado. São mais de 70 mil famílias afetadas. O Rio Negro estava a 25 centímetros do registro histórico de 2009 quando atingiu 29,77 metros. A expectativa é de que continue subindo até meados de junho.

De acordo com a Defesa Civil do estado, as ações humanitárias se estenderão até que a situação nos municípios sejam normalizadas. Dos que estão em situação de emergência, 26 já receberam ajuda do governo e os demais receberão nos próximos dias.

KITS DE AJUDA

Mais de 130 toneladas em kits de cesta básica, de higiene pessoal, limpeza, medicamentos e dormitório foram distribuídos. O aporte financeiro do estado revertido as ações foi na ordem de R$ 850 mil, sendo R$ 100 mil para sete municípios da calha do Juruá e R$ 150 mil para Boca do Acre, no Purus.

A Defesa Civil estadual tem trabalhado também na capital, Manaus, e está realizando a Operação Enchente 2012, fazendo a limpeza de igarapés (trechos de rios que cortam a cidade), retirando lixo de área alagadas, construindo passarelas e distribuindo cestas básicas e filtros de água. Estão sendo assistidas 11 localidades da capital.

A prefeitura informou que está reforçando as ações junto aos moradores com o lançamento, ontem, do SOS Enchente, que contará com três mil servidores municipais de sete secretarias percorrendo becos, ruas e avenidas dos dez bairros atingidos pela cheia, além do Centro.

Ao visitar bairros alagados de Manaus, o governador Omar Aziz anunciou que o governo estadual vai distribuir R$ 400 a pelo menos 50 mil famílias afetadas, por meio do cartão Amazonas Solidário.

SAIBA +

Uma linha de crédito, com limite até R$ 100 mil por beneficiário, foi instituída pelo Banco Central para produtor rural (pessoa física ou jurídica), cooperativa ou associação de produtores da área da Sudene que estejam fora do Programa Nacional de Fortalecimento da AGRICULTURA FAMILIAR(PRONAF).

A taxa de juros para esse financiamento será 3,5% ao ano, em até oito anos, com até três de carência. O prazo de contratação termina em 30 de dezembro.

Fonte: JORNAL DE BRASILIA – DF

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