Seca afeta produção mundial, diz USDA

Em relatório de oferta e demanda de grãos divulgado ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) reduziu sua previsão para a produção mundial de trigo na safra 2018/19, que terá início em setembro. Segundo o órgão, serão colhidas 744,7 milhões de toneladas do cereal, 3,1 milhões a menos que estimado em maio e volume 1,8% inferior ao de 2017/18.

O ajuste foi determinado por problemas na Rússia, onde o tempo seco tem prejudicado as lavouras. Após uma safra recorde de quase 85 milhões de toneladas em 2017/18, o país deverá colher 68,5 milhões de toneladas na atual temporada – em maio, o USDA previa 72 milhões. Com isso, o órgão reduziu a projeção para as exportações russas para 35 milhões de toneladas em 2018/19, ante 40,5 milhões no ciclo 2017/18.

Com a menor oferta da Rússia, o USDA elevou sua projeção para as exportações americanas para 25,9 milhões de toneladas em 2018/19, ante 24,5 milhões em 2017/18. Em maio, o órgão previa exportações de 25,17 milhões de toneladas para os EUA. Já os estoques finais americanos, que têm grande influência na formação das cotações do cereal da bolsa, deverão somar 25,7 milhões de toneladas ao fim da temporada 2018/19, ante 29,4 milhões no ciclo anterior.

Segundo Arlan Suderman, economista-chefe de commodities da FCStone, o mercado encara esses cortes como "o início de uma tendência", que inclui problemas provocados pela falta de chuvas na região do Mar Negro, Europa e Austrália. Os dados oficiais para a safra europeia indicam produção de 149,1 milhões de toneladas, ante 151 milhões em 2017/18. "Dada a seca em várias partes da Europa, essa provavelmente ainda não é a palavra final", comentou o Commerzbank, em nota na semana passada.

Ontem, o USDA projetou uma safra de 149,4 milhões de toneladas para a União Europeia, com estoques finais estimados em 10,47 milhões de toneladas, ante 13,07 milhões no fim da safra anterior.

Com um consumo mundial avaliado em 750,9 milhões de toneladas pelo USDA, a safra 2018/19 deverá apresentar déficit de mais de 6 milhões de toneladas. O departamento de agricultura estimou estoques mundiais de 266,16 milhões de toneladas no fim da safra 2018/19, ante 272,37 milhões no ciclo anterior. Apesar da queda de 2,27%, o volume ainda é considerado confortável pelos analistas.

Por Cleyton Vilarino | De São Paulo

Fonte : Valor