Santa Mônica espera crescer no varejo

Luis Ushirobira/Valor

Segundo Moscofian, há maior ânimo por parte de restaurantes e padarias

Após um ano de demanda mais restrita entre os clientes do food service e de receios com os efeitos do clima sobre sua produção, o Café Santa Mônica espera um 2017 mais favorável. As razões para o maior otimismo estão tanto no campo quanto na área comercial.

As cinco fazendas do Santa Mônica, localizadas em Machado, no sul de Minas Gerais, enfrentaram geadas em meados do ano passado, mas a intempérie não chegou a afetar a produção da safra 2017/18, que começará a ser colhida em junho.

Segundo Arthur Moscofian Jr., proprietário do Santa Mônica, as geadas atingiram mais a parte superior dos cafeeiros e não os ramos laterais. Dessa maneira, os botões florais, que se formam nessa área da planta, não foram afetados. "Ofendeu, mas [o cafezal] não sofreu tanto", disse.

A produção nas cinco fazendas do grupo deve alcançar 12 mil sacas nesta safra, praticamente estável em relação ao ciclo 2016/17. Apenas na Fazenda Santa Mônica, focada na produção de café gourmet, a colheita deve alcançar entre 4 mil e 4,5 mil sacas, também estável.

As lavouras da fazenda são irrigadas por gotejamento e houve um bom volume da chuvas na região entre dezembro e janeiro passados, de acordo com ele. A maior parte da produção do Café Santa Mônica é destinada ao mercado doméstico e cerca de 1 mil sacas de café verde são exportadas a cada ano.

Até 2016, quase 90% do faturamento do grupo vinha do food service, mas o Santa Mônica está ampliando a aposta no varejo. Em meados do ano passado, a empresa lançou o chamado ‘drip coffee’, um café de bolso, em doses individuais, no varejo. Também colocou no mercado cápsulas de café orgânico. Agora, está lançando cápsulas de descafeinado e também café torrado e moído orgânico.

Segundo Moscofian, o segmento varejista deve crescer e tem potencial para chegar a 30% da receita da empresa, que somou R$ 17,5 milhões em 2016. No ano que passou, mesmo com o cenário mais apertado, a receita ficou estável, disse o empresário. Mas a expectativa é de melhora em 2017. Além da maior presença no varejo, há sinais de início de recuperação no food service. "Restaurantes e padarias já estão mais animados", afirmou.

O Café Santa Mônica também segue apostando na demanda por cafés especiais, por isso investiu R$ 1,2 milhão em equipamentos a laser para separação do café. "É fundamental para a qualidade", disse Moscofian Jr. O equipamento está instalado na Fazenda Santa Mônica, e deve permitir ampliar a fatia de cafés especiais produzida na propriedade de 60% para 90% ainda este ano, acrescentou.

  • Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
  • Fonte : Valor

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