Santa Catarina sofre com seca

Cerca de 770 mil pessoas, 12% da população do estado, já foram atingidas

Não é só o Nordeste brasileiro que sofre com a longa estiagem, considerada a pior das últimas décadas e que afeta milhões de pessoas. Araranguá (no sul de Santa Catarina) decretou situação de emergência devido à seca, aumentando para 148 o número de municípios afetados – metade das 293 cidades catarinenses.

Em parte dos municípios atingidos, os caminhões-pipa já não são suficientes para abastecer a população, obrigando a Defesa Civil a levar galões de água mineral para escolas e postos de saúde em áreas rurais. A estiagem já dura seis meses e é considerada uma das mais longas da história de Santa Catarina.

São cerca de 770 mil pessoas atingidas, principalmente na região oeste do estado, afirma a Defesa Civil. O número representa 12% da população do estado. Moradores de regiões rurais de algumas cidades estão desde o início do ano sem água para consumo humano.

O município de Coronel Freitas , por exemplo, está em situação de emergência desde 19 de dezembro de 2011. "A previsão é que só as chuvas de inverno conseguirão repor a água do lençol freático, de rios e açudes", diz o diretor de resposta a desastres da Defesa Civil de Santa Catarina, major Aldo Batista Neto.

PREJUÍZOS

A estiagem que afeta Santa Catarina provocou quebra de cerca de 25% na produção de milho -um dos principais insumos para alimentação animal. "O estado, que já era deficitário na produção de milho e soja, terá de comprar mais esses produtos de outros estados e até do Paraguai e da Argentina", disse o secretário-ad-junto de Agricultura, Airton Spies.

As consequências da estiagem também são percebidas na produção de leite. Segundo o secretário, além de a produtividade ter caído, devido às pastagens secas, alimentar o gado com ração ficou mais caro.

Segundo avaliação da Federação da Agricultura e Pecuária de Santa Catarina (Faesc), o custo de produção de aves e suínos aumentou cerca de 30% neste ano. O estado é o principal produtor de suínos do País e o segundo no de aves.

"Esse aumento só não foi repassado para o consumidor porque houve queda na exportação e ficou mais produto no mercado interno. Mas dentro de um mês as agroindústrias devem repassar esse custo maior", afirma o vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri.

Segundo ele, as indústrias de menor porte, muitas de administração familiar, são as mais afetadas.

"Só uma agroindústria da região oeste do estado recebeu nos últimos dois meses 18 propostas para aquisição de pequenas e médias empresas." Ele afirma que algumas já reduziram o abate e estão prestes a "fechar as portas".

Os prejuízos na agricultura e na pecuária já atingiram aproximadamente R$ 770 milhões, de acordo com estimativa do governo do estado. A expectativa dos setores produtivos é de que a situação econômica só volte ao normal no início do ano que vem.

SAIBA +

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou, em sessão extraordinária, a criação de linha de crédito de custeio para os produtores rurais enquadrados no Programa Nacional de Fortalecimento daAGRICULTURA FAMILIAR (PRONAF) afetados pela seca, na Região Nordeste, e pelas enchentes, na Região Norte.

Os produtores prejudicados têm de 1º de julho a 30 de dezembro para contratar os créditos. Os microprodutores podem pegar até R$ 2,5 mil e os demais, R$ 12 mil. Os juros são de apenas 1% ao ano.

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Fonte: JORNAL DE BRASILIA – DF

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