Sangue frio

Governos com folgada maioria no Parlamento, sem o bafo na nuca de uma oposição aguerrida, não costumam aceitar pacificamente derrotas, mesmo que eventuais, em votações importantes. Por isso, a presidente Dilma Rousseff vai precisar de muito sangue frio, como disse o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, para analisar com serenidade a derrota que a Câmara lhe impôs na votação do Código Florestal, antes de decidir se veta ou não o texto da nova lei ambiental.
O veto puro e simples significará desgaste para o governo junto à bancada ruralista, porta-voz do setor que mais gera receita externa para o país e que ajuda a conter internamente a inflação com abundante oferta de alimentos baratos.
Sancionar o texto como saiu da Câmara, repudiado pelos ambientalistas, também pode indispor Dilma com esse segmento, às vésperas da Rio+20. Nesse cenário complicado, a apresentação de um novo projeto, mais ao gosto do governo, poderia ser uma saída honrosa. Mas faria o debate sobre a legislação ambiental retroceder pelo menos dois anos.

Fonte: Zero Hora OLHAR DO CAMPO | Irineu Guarnier Filho

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