Saga da vassoura-de-bruxa vira tema de documentário

O passado volta à tona. "O nó, ato humano deliberado", é o nome do documentário que conta a história da introdução da vassoura-de-bruxa nas lavouras de cacau da Bahia a partir de 1989, relembra o fracasso do plano de recuperação e aponta as consequências da derrocada da atividade na economia do sul baiano, que foi responsável pelo êxodo rural de quase 1 milhão de pessoas. "O nó" é uma alusão aos ramos com o fungo encontrados amarrados às plantas bem distantes umas das outras, o que seria uma indicação de que a entrada da vassoura-de-bruxa foi mesmo criminosa.

O autor do trabalho, Dilson Araújo, um servidor público que se interessa por pesquisa histórica na região cacaueira, conta que começou a estudar o assunto e conheceu o Instituto Pensar Cacau, que mobilizou os produtores para financiar o projeto. O documentário, que demandou cerca de R$ 70 mil, ganhou "corpo" em 2009 e foi lançado em abril deste ano durante o Festival de Cinema Baiano, em Ilhéus.

Araújo enviou ao Valor alguns documentos inéditos aos quais ele teve acesso sobre o caso, entre eles um relatório da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) que confirma que o manejo recomendado para o combate à vassoura-de-bruxa não surtiu o efeito desejado e outra nota da Ceplac que atesta a introdução proposital do fungo.

No documentário, a Ceplac também é acusada de ter falhado no Plano de Recuperação da Lavoura Cacaueira e de participar, por meio de alguns servidores, da introdução do fungo. Procurada, a instituição ligada ao Ministério da Agricultura, por meio de sua assessoria de imprensa, disse que não pode se pronunciar em virtude de a União ser objeto de ação dos produtores de cacau.

Em 2006, foi instaurado um inquérito pela Polícia Federal que concluiu que a introdução do fungo ocorreu por ato humano deliberado, sem identificar o autor. Depois de remetido ao Ministério Público Federal da Bahia, foi arquivado por prescrição em 2007. E não foi enviado ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Itabuna, porque ninguém recorreu do processo, segundo a assessoria de comunicação.

Também em 2006, foi instaurada uma comissão sindicante no Ministério da Agricultura que apurou fraude e envolvimento de servidores no caso. O último encaminhamento à Controladoria Geral da União (CGU) foi em 2010, segundo o ministério. Mas em abril de 2011, a CGU mandou o processo de volta ao ministério e pediu o arquivamento da sindicância pela dificuldade de apurar o fato ocorrido em 1989. (CF)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo

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