Safrinha de milho não deslancha em MT

A expectativa dos produtores mato-grossenses de ampliar a produção de milho na safrinha para compensar a quebra das lavouras do Sul do país pode não se concretizar na magnitude inicialmente prevista. O motivo é que o plantio na região vem sendo prejudicado pela demora nas entregas de sementes aos agricultores, segundo a associação que os representa no Estado.

Os produtores criticam as multinacionais e dizem que elas deixaram de cumprir o combinado. O presidente da Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso (Aprosmat), Pierre Patriat, diz que em muitos casos as empresas não tinham sementes para vender devido a forte procura. Nos outros casos, quando havia o produto em estoque, a variedade era pequena.

"Semente em si tem, mas algumas tecnologias não estão disponíveis. O que aconteceu foi que algumas pessoas compraram alguns produtos e receberam outros. É uma falta de ética total o que estão fazendo com os produtores. Foi vendido o que não tinha", diz.

A Associação dos Produtores de Soja de Mato Grosso (Aprosoja/ MT) avalia que cerca de 30% da área de 2,2 milhões de hectares previstos para serem plantados na safrinha ainda não foram semeados. "Acredito que essa área será plantada. Porém, nossa safrinha tem um limite de data para plantio, que é no fim de fevereiro. É prejuízo certo ao produtor", afirma o presidente da Aprosoja/MT, Carlos Fávaro. O problema de entrega, de acordo com Fávaro é generalizado.

A Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem), que também representa multinacionais, garante que há oferta de sementes para atender aos agricultores brasileiros. "Pode ocorrer que um ou outro híbrido específico já tenha se esgotado em algumas regiões, mas são casos pontuais. O importante é destacar que, no geral, há sementes de milho híbrido suficientes no mercado para atender ao produtor brasileiro", disse o presidente da Abrasem, Narciso Neto, em nota.

Mas os problemas no Estado, conforme a Aprosoja, não se restringem apenas ao milho. Carlos Fávaro confirmou que a produtividade da safra de soja no Estado será menor que o esperado. "A produtividade não está sendo a esperada. A planta é bonita, mas tem poucos grãos e grãos leves, por falta de luminosidade e por causa da ferrugem", descreve.

A região oeste e sul do Estado estão melhores, de acordo com Fávaro. No médio-norte, no norte e no leste, que incluem os municípios de Sinop, Sorriso, Lucas do Rio Verde e Querência e representam a 50% da área de plantio do Estado, sofreram muito, principalmente em Janeiro. A estimativa inicial é que a produtividade deverá ficar inferior a 6 e 8 sacos do que a safra passada.

Fonte:  Valor | Por Tarso Veloso | De Brasília

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