Safrinha de milho deverá recuar 14%

Por Bruno Villas Bôas, Fernanda Pressinott, Kauanna Navarro, Luiz Henrique Mendes e Bettina Barros | Do Rio e de São Paulo

A falta de chuva que prejudicou as lavouras na região Sul levou a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a reduzir de forma expressiva sua estimativa para a colheita da safrinha de milho desta temporada 2017/18 no país.

Conforme a estatal, a produção ficará em 58,2 milhões de toneladas, quase 5 milhões a menos que o previsto em maio e volume 13,6% inferior ao calculado para o ciclo 2016/17, que foi recorde. Como informou reportagem publicada na edição de ontem do Valor, o estresse hídrico afetou sobretudo as plantações do Paraná, segundo maior Estado produtor de grãos do Brasil, atrás de Mato Grosso.

Por causa dessa revisão, a Conab passou a estimar a produção total de milho no país em 2017/18 em 85 milhões de toneladas, uma queda de 13,1% em relação a 2016/17. E a previsão da estatal para a colheita de grãos como um todo também foi reduzida para 229,7 milhões de toneladas, 3,4% menor que o recorde do ciclo passado.

Seguindo o mesmo roteiro, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) diminuiu seu cálculo para a colheita nacional de grãos neste ano para 228,1 milhões de toneladas, volume 5,2% mais baixo que o estimado para 2017. "Houve restrições de chuvas no Paraná por mais de 40 dias. Uma estiagem muito grande, que levou a uma quebra da safra", disse Carlos Antonio Barradas, gerente da pesquisa realizada pelo IBGE. Ele realçou que, além do milho, o feijão foi afetado no Estado.

Barradas lembrou que, em parte, os problemas observados na safrinha de milho foram provocados pelo atraso do plantio de soja, ainda no terceiro trimestre do ano passado. Isso porque a safra de inverno, conhecida como safrinha, é semeada em áreas que no verão estão ocupadas por plantações de soja.

Para a oleaginosa, carro-chefe do agronegócio nacional, a Conab elevou sua projeção para a produção para 118 milhões de toneladas, pouco mais de 1 milhão de toneladas acima do previsto em maio e volume, recorde, 3,5% superior ao do ciclo 2017/18.

Assim, soja e milho deverão representar, segundo a Conab, 88,4% da colheita brasileira de grãos na temporada que está chegando ao fim. O país disputa com os EUA, cabeça a cabeça, a liderança da produção mundial de soja, e é o maior exportador do grão. No caso do milho, é o terceiro maior produtor, depois de EUA e China, e o segundo maior exportador, atrás dos americanos.

Essas posições foram confirmadas ontem por novo relatório de oferta e demanda de grãos divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Segundo o órgão americano, a colheita brasileira de soja somou 119 milhões de toneladas na safra 2017/18 e ficará em 118 milhões em 2018/19. Já a de milho (safras de inverno e de verão), conforme o USDA, somará 85 milhões de toneladas em 2017/18 e crescerá para 96 milhões no ciclo 2018/19.

No relatório de ontem, o USDA cortou a disponibilidade de soja e milho nos Estados Unidos em 2017/18, o que motivou a alta de ambas as commodities na bolsa de Chicago. Os contratos da soja para agosto subiram 0,50 centavo de dólar, para US$ 9,5950 por bushel, ao passo que o milho para setembro subiu 10,50 centavos de dólar, para US$ 3,8675 por bushel.

Fonte : Valor