Safra terá impacto de R$ 24 bilhões na economia

Volume de colheita projetado pela Emater no RS deve ultrapassar 30 milhões de toneladas de grãos

Nestor Tipa Júnior

Com mais de 80% da safra gaúcha de grãos colhida, o Rio Grande do Sul deve chegar a um volume de 30,75 milhões de toneladas na safra 2013/2014. Com isso, baterá o recorde do período de 2010/2011 que foi de 28,64 milhões de toneladas. O anúncio foi feito, nesta quinta-feira, pelo governo gaúcho. O resultado foi comemorado pelo governador Tarso Genro, que abriu o evento de divulgação dos números. Segundo ele, a expectativa é que a nova safra venha a injetar cerca de R$ 24 bilhões na economia gaúcha. “Já temos a convicção que é a maior safra da história do Rio Grande do Sul. Isso significa um avanço extraordinário e com esse anúncio queremos homenagear os nossos produtores rurais”, salienta.
O volume de grãos previsto é 9,18% superior ao da safra passada, de 28,17 milhões de toneladas de grãos. A soja, principal cultura do Estado, novamente será recorde com 13,21 milhões de toneladas, 3,57% a mais que o período anterior, que também havia sido o maior da história até então, com 12,75 milhões de toneladas.
Os números foram detalhados pelo presidente da Emater-RS, Lino De David. Conforme o dirigente, apesar de perdas pontuais em algumas lavouras em períodos mais secos, especialmente no final de dezembro de 2013 e início de fevereiro de 2014, o fato não interferiu nos dados finais. Ele lembra que ainda podem ocorrer alterações, mas que serão mínimas pelo adiantado da colheita. “A produção desta safra tem alguns elementos fundamentais. Um deles foi a quantidade de políticas públicas à disposição dos produtores. Soma-se a isso os preços dos grãos e as condições climáticas”, analisa.
Questionado sobre as metodologias utilizadas no levantamento, que trazem números acima dos divulgados por outras entidades, como a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que em seu último estudo apresentou uma safra de 29,81 milhões de toneladas, De David afirma que o trabalho de pesquisa da Emater-RS é reconhecido internacionalmente e que a rede estabelecida pelo órgão em todos os municípios do Estado permite ter uma amostra de quase 100% da colheita gaúcha. “A Conab captou até então 57% da safra colhida em seu último levantamento, enquanto o da Emater-RS é recente, com mais de 80% da área total colhida”, completa o secretário da Agricultura do Rio Grande do Sul, Cláudio Fioreze.
Outro destaque da safra foi o trigo, que também teve uma colheita recorde chegando a 3,35 milhões de toneladas. O arroz deve chegar a 8,77 milhões de toneladas enquanto o milho foi o único grão que teve queda e deve totalizar 5,3 milhões de toneladas.

Resultado é considerado normal por entidades do setor

O número divulgado pelo governo gaúcho de mais de 30 milhões de toneladas de grãos que devem ser colhidas na safra 2013/2014 não surpreendeu os dirigentes das principais entidades do setor.
O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, reforça que os dados estão parelhos com os divulgados como prognóstico pela entidade no ano passado. No entanto, o dirigente pede cautela na hora de fazer a análise dos resultados. “Mas é importante dizer que as tecnologias agregadas às tradicionais lavouras de soja não trazem a supersafra presente. Estes números refletem um adicional de colheita e temos que ter uma cautela e não entrar no quadro da euforia”, alerta.
Para Sperotto, ainda existem alguns gargalos no pós-colheita que precisam ser resolvidos. Ele cita como um dos exemplos a comercialização da safra de trigo que ficou relegada ao segundo plano em detrimento ao grão importado e sem atendimento da liberação para acessar ao mercado brasileiro. “Estamos com mais de um milhão de toneladas de trigo no Estado quando colhemos três vezes mais e não existem atitudes governamentais para gerar acesso aos mercados. Estamos contabilizando um volume de colheita, precisamos é buscar um resultado de colheita e não podemos confundir essas duas coisas”, explica.
O presidente da Fetag, Elton Weber, também considerou o resultado normal. Disse que o volume está dentro da capacidade produtiva do Estado, embora destaque as perdas em algumas regiões produtoras por causa da seca em períodos do verão. “Em alguns lugares houve quebras. E mais uma vez, dentro de uma safra normal, a agricultura deve salvar o PIB e a economia do Rio Grande do Sul”, salienta.

 

Fonte: Jornal do Comércio

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