Safra será mais cara

Fonte: DIÁRIO DE CUIABÁ – MT | MARCONDES MACIEL | Da Reportagem

Disparada nos preços em período de dólar desvalorizado frente ao real assusta produtor e contas são refeitas

Alta sobre os preços dos fertilizantes pode interferir no planejamento da safra que está há prestes a ser semeada, a partir de setembro em MT

A safra 11/12 nem começou a ser plantada e os produtores já contabilizam uma perda de R$ 70 milhões só por conta da alta dos fertilizantes, representados pela formulação NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio), insumos indispensáveis no plantio de GRÃOS, em Mato Grosso. A elevação dos preços começou a partir de maio e deve atingir uma área de aproximadamente 1 milhão de hectares no Estado, o equivalente a cerca de 15% de toda a área a ser cultivada na próxima safra (6,5 milhões de hectares). A estimativa é do agrônomo e consultor Naildo da Silva Lopes, que é também coordenador da Comissão de Gestão da Produção da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT).

Segundo ele, a alta dos fertilizantes causou surpresa nos produtores, já que o insumo é cotado em dólar e, do final de abril até agora, o câmbio não sofreu elevação. A tonelada do fertilizante, que chegou a ser comercializada por até R$ 867 no último dia 30 de abril, agora é encontrado em média por R$ 950/t, alta de 9,57%. O fósforo, que era vendido por R$ 651/t, está custando R$ 780/t (majoração de 9,81%). O cloreto de potássio foi o componente que sofreu a maior alta este ano (25%), passando de R$ 1,04 mil/t para R$ 1,30 mil/t.

Na opinião de Naildo Lopes, o aumento dos preços fará a safra ficar mais cara, chegando a comprometer o resultado do próximo ciclo para cerca de 15% dos produtores que ainda não adquiriram o insumo. "Pelos nossos cálculos, o produtor que ainda não comprou os fertilizantes vai ter de desembolsar até duas sacas a mais por hectare para cobrir a diferença. E, se considerarmos a área total a ser plantada este ano, vamos desembolsar em torno de dois milhões de sacas, gerando uma perda de aproximadamente R$ 70 milhões no final da safra só por conta da alta dos fertilizantes", aponta o especialista.

O que ele não entende é "por que houve esta alta, sendo que o dólar caiu e os preços dos produtos se mantiveram". Por isso, Lopes defende a criação de um órgão de controle para orientar o produtor nessa questão justamente no momento em que ele está fechando seus custos de produção e se preparando para o plantio. O segmento de fertilizantes está nas mãos de cinco empresas, que dominam o mercado no país.

Lopes entende que o alto preço dos fertilizantes é um fator que vem onerando os custos de produção e colocando em risco a atividade para muitos agricultores. Os estudos mostram que os custos com fertilizantes estão impondo fortes perdas e reduzindo drasticamente a margem de lucro do setor.

"A alta nos preços desse insumo foi tão grande do ano passado para cá que hoje os fertilizantes preocupam tanto quanto a falta de logística", afirmam os analistas. Outro detalhe é que agora o peso do fertilizante, em Mato Grosso, como fator de perda da competitividade, está praticamente equiparado com o da logística.

Para Naildo Lopes, a alta dos preços dos fertilizantes deve pressionar os custos de produção desta nova safra. No caso da soja, os gastos com adubação do solo respondem por 30% do custo de produção.

O presidente da Aprosoja/MT, Glauber Silveira, diz que os produtores estão adotando uma modalidade de compra antecipada, garantindo a estabilidade do preço. A prática consiste em estabelecer um valor fixo pela commodity e trocar o grão por insumos. "O produtor deve analisar a relação de troca para travar vendas garantindo os custos", orienta.

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