Safra recorde com renda menor

Balanço da Farsul indica protagonismo da soja e do trigo na produção gaúcha e projeta força da irrigação no próximo ano

Após um ano em que a virada de mesa da agricultura garantiu o crescimento da economia gaúcha, a Farsul projetou ontem, em seu balanço anual, na Capital, que os agricultores colherão uma safra recorde, mas terão rentabilidade inferior à deste ano em 2014. Com o aumento projetado de área de 2,6%, a estimativa é de 30,22 milhões de toneladas, incremento de 2,4% em relação ao ciclo 2012/2013, de 29,50 milhões de t. A soja puxará este carro, que terá como novo ator o trigo. Nesta safra, o Estado fisgou a liderança nacional, com 2,7 milhões de toneladas, desbancando o Paraná. A rentabilidade será boa, mas inferior à deste ano porque os custos de produção aumentaram um pouco. Mas, principalmente, porque os preços no mercado futuro indicam queda para maio. ‘Naquele momento, ano passado, em que estava sendo plantada a safra, houve a influência da seca americana’, explica o assessor econômico da Farsul, Antônio da Luz. Para a soja, o recuo é estimado em 15,6%. O mesmo fenômeno se aplica ao milho. Já no caso do arroz, ano passado, a saca estava em R$ 40,00 devido à redução de área e apoio à venda. Este ano, o cenário é de normalidade.

O economista salienta que uma das principais preocupações é com o baixo crescimento econômico e a inflação alta, que encolhem o mercado interno, destino de até 50% da soja, de 85% do arroz e de 70% do milho, por exemplo. Mas o presidente da Farsul, Carlos Sperotto, não acredita que, em ano eleitoral, o governo deixará o preço dos alimentos disparar. Os problemas logísticos para escoar uma safra cada vez maior e a carga tributária também desafiam o campo. Estudo da Farsul mostra que os impostos variam de 26,21% a 30,8%, dependendo do produto.

Para dar tranquilidade à produção, o presidente da Farsul ressaltou que é preciso melhorar o seguro agrícola. Segundo o dirigente, há negociações com técnicos dos ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento para isso. Contudo, Sperotto não quis antecipar detalhes para não atrapalhar as tratativas, mas citou entre as principais deficiências do seguro a falta de implementação efetiva do Fundo de Catástrofe, um seguro que cubra a renda e não só a produção e mais dinheiro.

O dirigente destacou também o bom momento da pecuária de corte, embalada por exportações crescentes e que, apesar de ter perdido 386 mil hectares para a soja, conseguiu manter posição com melhora de manejo e qualidade. Sperotto deixou um recado final a produtores e governos: que se faça um esforço para manter o endividamento controlado. Em 2013, o Bacen renegociou R$ 146,87 milhões. ‘Chegamos a uma situação de renegociação de todo o passivo acumulado. Não vamos deixar que o endividamento ocorra novamente.’

A irrigação também estará em pauta em 2014, mesmo com os avanços do último ano, com aumento de 84% no crédito para esta finalidade para R$ 138,89 milhões. O vice-presidente da Farsul, Gedeão Pereira, projeta que, em três anos, a área irrigada com pivôs, hoje de 127 mil ha, o que representa de 2% a 3% da área com grãos subtraído o arroz, chegue a 250 mil hectares. ‘Irrigação é fundamental. Temos que estabelecer metas ousadas’, pontuou.

Fonte: Correio do Povo