Safra impulsiona contratação de temporários

FCDL-RS estima que cerca de 11 mil mil profissionais encontrem oportunidade de trabalho no Estado no final de ano

A safra recorde deste ano no Estado deve impulsionar o comércio no último trimestre de 2013 e, consequentemente, estimular a contratação de temporários em todo o Rio Grande do Sul. “Nós vamos ter uma movimentação intensa no comércio no final do ano em razão do resultado do agronegócio, que teve uma safra muito boa, e esse dinheiro circula muito”, afirma o presidente da FCDL-RS (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul), Vitor Augusto Koch.

A FCDL-RS estima que devem ser criadas cerca de 14 mil vagas temporárias no varejo gaúcho. Entretanto, em função da escassez de trabalhadores qualificados, o preenchimento dos postos de trabalho deve ficar em torno de 11 mil vagas. Apesar do crescimento em relação ao ano passado, que registrou cerca de 10 mil vagas temporárias preenchidas no setor, os números não são tão fortes quanto em 2009, quando 13,2 mil vagas temporárias foram preenchidas, e 2010, com 14,3 mil. Para a entidade, isso decorre de um dado positivo da economia: as baixas taxas de desemprego.

A previsão de mais contratações acompanha a expectativa de um aumento nas vendas. “Nossa estimativa de crescimento sobre o faturamento é em torno de 8,5%. Descontada a inflação, em torno de 6%, teremos um acréscimo real em torno de 3%”, diz Koch.

Além da boa safra, o presidente da FCDL acredita que a Copa do Mundo no Brasil e as eleições de 2014 também devam estimular as vendas e as contratações. Segundo ele, em função da Copa do Mundo, muitas pessoas vão antecipar as compras, especialmente de artigos eletrônicos e televisores. Ele também acredita que, com a proximidade das eleições de 2014, é possível esperar medidas do governo para aumentar o consumo.

O vice-presidente do Sindilojas (Sindicato dos Lojistas do Comércio) de Porto Alegre, Paulo Roberto Diehl Kruse, lembra que há muitas dificuldades para contratar. “O comércio é uma área que dificulta, tem que trabalhar sábado e domingo. Temos problemas para conseguir gente qualificada”, afirma.

O último trimestre do ano é sempre de muito trabalho para os departamentos de recursos humanos das empresas. Que o diga Paulo Garin, gerente de recursos humanos da rede de Supermercado Asun. Entre os meses de outubro e dezembro, ele deverá contratar até mil temporários para trabalhar nas oito lojas da rede que ficam em cidades do Litoral gaúcho. Durante a baixa temporada, essas lojas contam com 600 funcionários.

Garin diz que a maior dificuldade é conseguir profissionais como açougueiro ou padeiro. É comum contratar pessoas de outras regiões do Estado e, considerando isso, muitas das filiais da rede contam até com alojamento. De acordo com Garin, a possibilidade de efetivação é grande. “Ano a ano está crescendo a população fixa no Litoral, então há um aumento de demanda”, diz.

Para contratar tantos temporários, Garin lança mão de anúncios com carros de som, parcerias com o Sine (Sistema Nacional de Emprego) e divulgação nas rádios locais. A indicação através de outros profissionais também é útil. Há ainda uma parceria com um site de RH uruguaio para trazer mão de obra daquele país. Além disso, é comum no verão a presença de profissionais das lojas da Grande Porto Alegre nas unidades do Litoral. “Quem vai para o litoral não quer perder duas ou três horas no mercado, quer aproveitar o veraneio.”

Experiência é oportunidade de efetivação para os profissionais

A coordenadora de recursos humanos do Grupo Paquetá (que reúne Paquetá, Paquetá Esportes e Gaston), Alessandra Da Silva Brundo Secco, trabalha para reforçar as lojas da rede durante o último trimestre. Só no Rio Grande do Sul, são 300 vagas em 74 lojas. As vagas são para vendedor, caixa, estoquista e auxiliar de loja. O principal critério para contratação de temporários é a questão comportamental. “Experiência a gente não exige. Mas precisa ter gosto por atendimento ao público e disponibilidade de horário”, afirma.

De acordo com Alessandra, “todo mundo que é temporário tem possibilidade de ser efetivado”. Ela diz que é preciso ter bom desempenho e comprometimento. O vendedor Bruce Bittencourt, 20 anos, da loja Gaston do Centro de Porto Alegre, é um exemplo de temporário contratado no final de 2012 que acabou ficando. Ele se mostra motivado com a possibilidade de crescer dentro da empresa. “De três em três meses abre vagas pra gerente ou coordenador de vendas”, conta.

Viviane Ávila Goular, 20 anos, que começa a trabalhar hoje como operadora de caixa temporária na loja da Paquetá do BarraShoppingSul, na Capital, quer seguir o caminho trilhado por Bittencourt e também ser efetivada. “Parece um lugar bom pra trabalhar, as pessoas foram simpáticas, o público também é bom para trabalhar”, diz.

De acordo com o presidente da FCDL-RS, Vitor Augusto Koch, entre 7% e 10% dos temporários contratados durante o final do ano no Estado costumam ser efetivados. Já o vice-presidente do Sindilojas de Porto Alegre, Paulo Roberto Diehl Kruse, acredita que entre 30% e 40% dos temporários da Capital permanecerão.

A recomendação é que os candidatos busquem treinamento e excelência na atividade que escolherem para trabalhar. Em Porto Alegre, o Sindilojas promove, no dia 31 de outubro, treinamento para auxiliar vendedores na rotina do trabalho. As inscrições são limitadas e gratuitas para associados e podem ser feitas pelo e-mail cursos@sindilojaspoa.com.br. Outra opção para se qualificar são os diversos cursos oferecidos pelas agências do Sine (Sistema Nacional de Emprego) de cada cidade.

Pesquisa indica que 233 mil serão admitidos em todo o País

O comércio e o setor de serviços têm expectativas moderadamente otimistas para este fim de ano. Pesquisa do SPC Brasil com 731 companhias em 27 capitais, a maioria pequenas e microempresas, mostra que 37% planejam contratar. Ao todo, devem ser admitidos 233 mil trabalhadores temporários, dos quais 14% podem se tornar funcionários efetivos. Em relação às perspectivas de vendas, o quadro é mais positivo: 83% dos entrevistados esperam vendas iguais ou maiores do que as de 2012 e apenas 12% piores.

O gerente financeiro do SPC Brasil, Flávio Borges, atribui o otimismo dos empresários a fatos como a maior oferta de crédito por conta de programas específicos, como o Minha Casa Melhor, para compra de eletrodomésticos e móveis, por exemplo. Além disso, apesar do elevado nível de endividamento, a inadimplência do consumidor vem recuando lentamente.

Fonte: Jornal do Comércio | Jair Stangler

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