Safra gaúcha de trigo será recorde neste ano

Faltando apenas 2% da área, a colheita no Rio Grande do Sul deve atingir 2,91 milhões de toneladas, diz a Emater

Praticamente encerrada, faltando apenas 2%, a colheita do trigo no Rio Grande do Sul será a maior da história. Os números, revelados pela Emater nesta quinta-feira, devem chegar a 2,91 milhões de toneladas, batendo o recorde alcançado em 2011, de 2,74 milhões de toneladas.

Os números de produção divulgados consolidam o Rio Grande do Sul como principal produtor do cereal no País, que retoma a liderança novamente com a quebra de safra no Paraná. Conforme o Departamento de Economia Rural paranaense (Deral), com 99% da colheita finalizada, a produção será de 1,79 milhão de toneladas.

Mesmo com problemas climáticos nas fases de floração e enchimentos de grãos, a produtividade também foi elevada, passando de 2,62 mil quilos por hectare, no último levantamento, para 2,82 mil quilos por hectare. Segundo o agrônomo da Emater, Alencar Rugeri, o clima não foi tão prejudicial quanto o da safra de 2012, quando uma série de eventos – como vento, geada e forte chuva – trouxe prejuízos para as lavouras, gerando uma quebra de 31,29% na safra, com colheita de 1,88 milhão de toneladas. “O produtor está fazendo um cultivo adotando as tecnologias indicadas pelos pesquisadores”, explica Rugeri.

Os produtores também comemoram os resultados obtidos no campo pela cultura. O presidente da Comissão de Trigo da Farsul, Hamilton Jardim, explica que este aumento de produção foi um trabalho realizado em conjunto com outros atores da cadeia produtiva na busca de alavancar a produção e a qualidade, especialmente na variedade do trigo – pão para atender as indústrias moageiras. “Em função de termos insumos adequados e aplicarmos alta tecnologia nas lavouras, é que conseguimos atingir este resultado”, avalia.

Para as moageiras, de acordo com o presidente do Sindicato das Indústrias do Trigo do Rio Grande do Sul (Sinditrigo), José Antoniazzi, a alta na safra gaúcha vai representar uma diminuição nas importações do cereal na próxima temporada, recurso que precisou ser utilizado neste ano por causa da quebra de safra do Estado para atender a demanda de 1,2 milhão de toneladas consumida pelas indústrias gaúchas. “Neste ano, a expectativa é de uma qualidade muito boa, se comparada com a safra anterior, que foi menor e teve problemas de diminuição também na qualidade”, acrescenta.

Com a colheita praticamente encerrada nos dois principais Estados que cultivam o cereal, os produtores devem encontrar preços atrativos no mercado. Conforme o analista de mercado da Capital Corretora, Farias Toigo, ainda existe uma diferença entre consumo e produção no país. “Temos um consumo de cerca de 11 milhões de toneladas para uma produção de cinco milhões. O produtor vai ter mercado”, ressalta Toigo.

O especialista explica que os preços poderiam ser melhores do que os cerca de R$ 640,00 a tonelada praticado no interior. Muito se deve à isenção da Tarifa Externa Comum (TEC), que foi a zero para trazer produto de fora do Mercosul e que venceu no último dia 30 de novembro.

 

Fonte: Jornal do Comércio | Nestor Tipa Júnior

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