Safra e dólar beneficiam cooperativas do PR

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Para Costa, da Ocepar, tendência é que dólar valorizado estimule as exportações e sustente os ganhos dos produtores

Os bons ventos que sopram nas lavouras de grãos da atual safra 2014/15 e a disparada do dólar ante o real, que tende a compensar parte da queda da soja e do milho no mercado internacional, devem permitir um novo avanço no faturamento das cooperativas agrícolas do Paraná este ano. A expectativa é que essas organizações contabilizem receita ao menos 10% acima de 2014, para algo entre R$ 46 bilhões e R$ 48 bilhões, calcula a Ocepar.

"Imaginamos uma possibilidade de aumento das exportações em função do dólar mais alto, que vinha na casa de R$ 2,20 e passou a R$ 2,70", disse Nelson Costa, superintendente adjunto da Ocepar, que representa as cooperativas paranaenses – sendo 78 agrícolas.

A tendência é que o estímulo aos embarques devido à valorização da moeda americana ajude a sustentar os ganhos dos produtores brasileiros em real, apesar do cenário negativo para as cotações dos grãos em decorrência da elevada oferta global. "Prevemos que as vendas externas rendam US$ 3 bilhões às cooperativas do Estado em 2015, frente aos US$ 2,5 bilhões no ano passado", estimou Costa.

Há outro fator que deve contribuir para turbinar o faturamento das cooperativas do Paraná: o represamento das vendas de grãos da safra passada, a 2013/14. À espera de uma reação nos preços, os agricultores vinham retendo a comercialização, mas a expectativa é de que os negócios deslanchem na medida em que a colheita da nova safra 2014/15 – que já começou em algumas regiões – ganhe mais ritmo.

Grandes locomotivas do Estado, as cooperativas agrícolas respondem por 56% do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio e quase 20% do PIB total do Paraná. Mas, ainda que 2014 também tenha sido marcado por um incremento no faturamento dessas organizações, para R$ 42 bilhões, o ano não foi tão bom quanto os dois anteriores, na avaliação de Costa.

Entre outros fatores, em função da seca que reduziu em mais de um milhão de toneladas a safra de grãos no ano passado, do excesso de oferta de alguns produtos (caso de leite e carne de frango) e da redução do consumo, em função da inflação mais alta. "Em termos nominais, o crescimento foi de 10,5%, mas descontada a inflação, foi de apenas 4%. Em 2013, tivemos um avanço nominal de 16,5% e, real, de 10%, portanto bem maior", detalhou ele.

No front de investimentos, a estimativa da Ocepar é que se repita em 2015 o montante do último ano, de cerca de R$ 3 bilhões. Entre os recentes aportes estão um moinho de trigo que a Coamo, maior cooperativa agrícola da América Latina, colocará em operação entre abril e maio, além de um frigorífico de suínos fruto de uma parceria entre Castrolanda, Batavo e Capal, e outra grande indústria processadora de suínos da Frimesa.

"O plano é iniciar os abates em 2018, até atingir uma capacidade de 7 mil cabeças por dia, por volta de 2022", disse Irineo da Costa Rodrigues, diretor-presidente da Lar, uma das cinco cooperativas filiadas à Frimesa. Ao todo, a unidade absorverá R$ 450 milhões e as obras começarão no fim deste ano.

A Lar, que fica no município de Medianeira, oeste do Paraná, planeja investir R$ 180 milhões em 2015, nível semelhante ao do ano passado. Além do projeto com a Frimesa, a cooperativa injetará novos recursos também nos setores de avicultura de corte e grãos, dois dos que mais contribuem para seu faturamento. A Lar projeta uma elevação de 13% na receita este ano, a R$ 3,5 bilhões, ante os R$ 3,1 bilhões de 2014. Além do Paraná, a cooperativa atua em Santa Catarina, Mato Grosso do Sul e no Paraguai, com um total de quase 9,5 mil cooperados.

A Lar aguarda um recebimento de 900 mil toneladas de soja na atual temporada 2014/15. "Tivemos alguns problemas com o calor intenso entre outubro e novembro, mas a produtividade acima do esperado em Mato Grosso do Sul deve compensar", disse o diretor-presidente da Lar.

Na região de atuação da Cocamar, cooperativa com sede em Maringá, no norte do Paraná, as lavouras estão "excelentes", conforme o presidente-executivo José Fernandes Jardim Júnior. A previsão da Cocamar é receber 1,050 milhão de toneladas de soja nesta safra de verão, 23,5% acima da passada, o que deve contribuir para que o faturamento ultrapasse os R$ 3 bilhões, ante os R$ 2,85 bilhões de 2014.

Há uma preocupação, contudo, na disputa de espaço de armazenagem entre as safras nova e velha de grãos. "Temos 3 milhões de sacas [180 mil toneladas] de soja e 10 milhões de sacas [600 mil toneladas] de milho do ciclo 2013/14 que ainda não foram negociadas. Com isso, iniciamos a próxima safra com praticamente metade da capacidade de estocagem", disse Jardim Júnior. O problema, acrescentou o executivo, é compartilhado por todo o setor cooperativista do Estado neste momento. "O produtor tem sido mais conservador, mas será preciso que ele busque uma movimentação mais rápida da safra", concluiu.

Fonte: Valor | Por Mariana Caetano

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