Safra de maçãs do Sul sofre com chuvas

Pelo terceiro ano consecutivo, os produtores de maçãs do Sul do país deverão registrar uma colheita menor devido a condições climáticas consideradas ruins para a cultura. A combinação de excesso de chuva, geada e pouco calor prejudicou o desenvolvimento dos frutos, o que acarretará em maçãs menores nas gôndolas neste ano.

Segundo a Associação Brasileira de Produtores de Maçã (ABPM), a tendência para a atual safra 2015/16 é chegar perto do resultado do ciclo anterior. "As chuvas na primavera frustraram a expectativa de capacidade de produção", diz Moisés de Albuquerque, diretor-executivo da entidade. "Esperamos algo como o volume de 2014/15, mas com viés de baixa".

A segunda estimativa da ABPM aponta para entre 1,08 milhão e 1,130 milhão de toneladas da fruta, contra 1,144 milhão na safra anterior. Em 2013/14, o setor colheu 1,165 milhão de toneladas.

"É muito discutível dizer que houve quebra na safra, e de que proporção ela será. Ainda estamos na fase inicial da colheita, mas já é possível dizer que o calibre [tamanho] será menor", diz o produtor Pierre Nicolas Pérès, baseado no polo catarinense de Fraiburgo.

Leandro Bortoluz, produtor do polo gaúcho de Vacaria, diz que houve uma forte geada na região no dia 12 de setembro – em plena época de florada das macieiras. "Foi algo fora do esperado e queimou muita flor". Segundo os produtores, as chuvas ainda atrapalharam o trabalho das abelhas, os principais polinizadores da maçã, e elevaram em 30% as aplicações de fungicidas nesta safra devido ao aparecimento maior pragas.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Santa Catarina (Faesc) alerta para outro fator de preocupação: a possibilidade de ingresso da maçã chinesa no mercado brasileiro. De acordo com a entidade, trata-se de uma ameaça mercadológica e fitossanitária. "A China convive com pragas que já foram erradicadas no Brasil e pratica preços muito baixos porque mantém subsídios ao produtor – o que é condenado pela Organização Mundial do Comércio".

A colheita da maçã está apenas no início e será encerrada em meados de maio. No país, as variedades mais importantes são Fuji e Gala – esta última representa 70% das vendas. Os produtores afirmam sentir dificuldades em introduzir novas opções no mercado devido à resistência do varejo e do consumidor.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *